CRISE NO CONGRESSO
Câmara paralisa sessão por briga em votação crucial
Discussões acaloradas no Conselho de Ética levam à intervenção da Polícia Legislativa nesta terça-feira, 05 de maio de 2026, em meio a votação sobre suspensão de mandatos de oposição. O presidente do colegiado precisou suspender os trabalhos em duas ocasiões, evidenciando a crescente polarização e o impacto na dignidade do processo legislativo.
A Câmara dos Deputados interrompeu uma sessão do Conselho de Ética nesta terça-feira, 05 de maio de 2026, depois que discussões acaloradas entre parlamentares e um advogado externo escalaram, exigindo a intervenção da Polícia Legislativa. O presidente do colegiado, Fábio Schiochet (União Brasil-SC), suspendeu os trabalhos em meio à votação crucial sobre a suspensão de mandatos de deputados de Oposição. O episódio expõe a crescente polarização política no Congresso Nacional, fragilizando o decoro parlamentar e gerando preocupação sobre a capacidade de diálogo em um ambiente democrático.
A tensão explodiu após oito horas de debates na comissão, quando o deputado Chico Alencar (Psol-RJ) e o advogado Jeffrey Chiquini, que representa o deputado Marcel Van Hattem (Novo-RS), iniciaram uma troca de farpas. Chiquini, pré-candidato a deputado federal pelo Paraná, dirigiu-se a Alencar com a frase: 'você tem sorte de ser idoso', provocando indignação no plenário.
Imediatamente, o deputado Reimont (PT-RJ) solicitou que os agentes da Polícia Legislativa removessem Chiquini do local, alegando que ele havia proferido 'graves ameaças' a um parlamentar. Diante do bate-boca generalizado, o presidente Fábio Schiochet decretou a primeira interrupção da sessão por trinta minutos.
Durante a pausa, apoiadores de Van Hattem, cuja pré-candidatura a uma das vagas do Senado pelo Rio Grande do Sul era pauta, ocuparam o plenário, entoando gritos de 'meu senador', aumentando a pressão sobre o colegiado.
Na retomada dos trabalhos, o clima continuou hostil. A deputada Maria do Rosário (PT-RS) e o deputado Zé Trovão (PL-SC) engajaram-se em nova discussão, desencadeando outro tumulto. A situação forçou uma segunda interrupção, desta vez por cerca de quarenta minutos, antes que a votação pudesse ser reiniciada.
Os deputados federais Marcos Pollon (PL-MS) e Zé Trovão também enfrentam processos no Conselho de Ética, com acusações de obstrução dos plenários em agosto de 2025 – o mesmo motivo da votação em questão.
A 'obstrução' referida remonta a agosto de 2025, quando deputados de Oposição ocuparam por aproximadamente trinta horas o plenário da Câmara. O protesto visava pressionar contra a prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), decretada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo, após a participação do ex-presidente em manifestações por telefone, sem que ainda houvesse um julgamento definitivo.
Além da pauta de Bolsonaro, os parlamentares de Oposição também exigiam o avanço de uma proposta de anistia ampla e irrestrita para os envolvidos nos atos antidemocráticos de 8 de janeiro, ocasião em que manifestantes bolsonaristas invadiram e depredaram as sedes dos Três Poderes em Brasília, marcando um dos pontos mais críticos da recente história política do Brasil.
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