PODER EM JOGO

Câmara e Senado travam pauta de projetos diante de eleições e jogos políticos

Presidentes da Câmara e do Senado em evento oficial. A relação entre as lideranças impacta o andamento de propostas legislativas.
Presidentes da Câmara e do Senado em evento oficial. A relação entre as lideranças impacta o andamento de propostas legislativas.

Presidentes da Câmara e do Senado priorizam interesses próprios e partidários, adiando decisões cruciais que afetam a sociedade e a economia. PECs e projetos de lei importantes ficam paralisados em meio a disputas eleitorais.

{"blocks":[{"type":"paragraph","data":{"text":"A análise de projetos importantes no Congresso Nacional está paralisada, um reflexo direto das disputas políticas e do foco nas próximas eleições. Em meio a interesses conflitantes entre governo e oposição, a Câmara dos Deputados e o Senado Federal adiaram decisões cruciais que impactam a sociedade e a economia. A situação compromete o andamento de propostas legislativas e a articulação política em Brasília."}},{"type":"paragraph","data":{"text":"Parte das matérias de interesse do Executivo, impulsionadas pela boa relação entre o presidente da Câmara, Hugo Motta, e o governo, já obteve aprovação na Casa. Contudo, a falta de sintonia com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, tem travado o avanço dessas propostas na outra Casa legislativa. A relação entre os dois presidentes é apontada como um fator determinante para o impasse."}},{"type":"paragraph","data":{"text":"Um exemplo notório é a PEC da Segurança Pública, uma aposta do governo para elevar a popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) junto ao eleitorado, especialmente o de centro-direita. O texto foi aprovado na Câmara em março de 2026, mas Alcolumbre ainda não o encaminhou para a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, etapa essencial para a análise de PECs antes de irem a plenário."}},{"type":"image","data":{"file":{"url":"https://s04.video.glbimg.com/x240/992055.jpg"},"caption":"Agências de notícias acompanham o desenrolar dos eventos no Congresso Nacional.","alt":"Agências de notícias acompanham o desenrolar dos eventos no Congresso Nacional.","alignment":"center"}},{"type":"paragraph","data":{"text":"Outra matéria aguardando decisão no Senado é a PEC que propõe a redução da jornada de trabalho sem cortes salariais. Apesar de Alcolumbre assegurar a interlocutores que o tema seria votado antes das eleições, sua postura tem sido de cautela, declarando que o Senado não deve ser uma mera “casa carimbadora”. A matéria ainda não foi despachada para a CCJ, e um encontro agendado com o presidente da CCJ, Otto Alencar (PSD-BA), para definir um relator, foi desmarcado, sem nova data prevista. Aliados de Alcolumbre, porém, afirmam que a PEC terá tramitação célere na CCJ dada a boa relação de Otto Alencar com o governo."}},{"type":"paragraph","data":{"text":"Parlamentares reconhecem o descompasso de agendas entre Câmara e Senado, mas muitos atribuem o travamento dos projetos à deterioração da relação entre Alcolumbre e o governo, considerando as festas de fim de ano e a Copa do Mundo como “desculpas oficiais”. A perspectiva é que a agenda se torne ainda mais restrita com a proximidade do período eleitoral, quando o Congresso deve operar em regime remoto para permitir que parlamentares se dediquem às campanhas em suas bases."}},{"type":"paragraph","data":{"text":"Para destravar o andamento das propostas, argumenta-se que Alcolumbre precisa restabelecer o diálogo com o Planalto. O presidente do Senado é visto como peça-chave em uma derrota política recente do governo: a rejeição da indicação de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal (STF)."}},{"type":"paragraph","data":{"text":"Em relação a Motta, um deputado apontou um leve descontentamento com o Planalto decorrente do apoio público de Lula à reeleição de Veneziano Vital do Rêgo (MDB-PB) ao Senado, uma vez que Motta desejava o apoio do presidente para seu pai, Nabor Wanderley (Republicanos-PB), ex-prefeito de Patos. Apesar disso, acredita-se que o episódio seja “corrigível” e não impacte a tramitação de propostas de interesse do Executivo na Câmara."}},{"type":"paragraph","data":{"text":"A dinâmica de votações nas duas Casas também é influenciada pelos cálculos para a reeleição de Motta e Alcolumbre às presidências da Câmara e do Senado. Motta alinhou-se ao governo, enquanto Alcolumbre busca apoio na oposição, especialmente do PL. Um parlamentar ressaltou que Alcolumbre precisa do PL para se reeleger, enquanto Motta se fortaleceu junto ao PT. Ambos os presidentes estariam focados em seus projetos de reeleição."}},{"type":"paragraph","data":{"text":"A decisão de Alcolumbre de pautar projetos como o que facilita o pagamento de dívidas rurais com subsídio governamental não é vista como retaliação, mas como atendimento a demandas da Frente Parlamentar Agropecuária (FPA). O texto, considerado uma “pauta bomba”, representa um impacto estimado de R$ 140 bilhões em 13 anos para o Ministério da Fazenda."}},{"type":"paragraph","data":{"text":"Antes do recesso parlamentar, Motta anunciou a intenção de enviar outras três matérias ao Senado: um projeto para aumentar o limite de faturamento do Microempreendedor Individual (MEI); uma proposta que equipara misoginia ao crime de racismo (já analisada no Senado, mas que retornará devido a alterações na Câmara); e a criação do Marco Legal da Inteligência Artificial (IA). Dois primeiros projetos devem avançar rapidamente, enquanto o Marco Legal da IA demandará mais debates."}},{"type":"paragraph","data":{"text":"Na Câmara, projetos aprovados no Senado que contrariam o Executivo enfrentam resistência. O projeto de renegociação de dívidas rurais, aprovado pelos senadores, foi considerado “impagável” por Motta, que afirmou não se comprometer em pautá-lo. Outra proposta travada na Câmara é a do crime de misoginia, para a qual Motta decidiu criar um grupo de trabalho, adiando a votação para depois das Festas Juninas. Apesar dos atritos, Alcolumbre e Motta mantêm contato diário. A falta de harmonia entre as Casas é atribuída por aliados de Alcolumbre à crise deflagrada pela rejeição de Jorge Messias ao STF."}}]},"version":"2.9.0"}

Gostou desta notícia?

Entre no nosso grupo do WhatsApp!

Receba as principais notícias em primeira mão, direto no seu celular. É grátis!

📲 Quero entrar no grupo

Compartilhe esta matéria

Comentários (0)

Seja o primeiro a comentar!

Deixe seu comentário