GOVERNO RETIRA URGÊNCIA

Câmara destrava pauta após governo retirar urgência de projeto sobre 6x1

Prédio da Câmara dos Deputados em Brasília.
Câmara dos Deputados, em Brasília.

Decisão abre espaço para votação de projetos sobre IA, piso de MEIs e misoginia antes do recesso parlamentar de julho.

A retirada da urgência do projeto de lei do governo sobre o fim da regra 6x1 destravou a pauta da Câmara dos Deputados. A decisão, anunciada nesta quarta-feira, 17/06/2026, permite que a Casa avance na votação de três propostas consideradas importantes pelo presidente da Câmara, Arthur Lira (Progressistas-AL). A prioridade agora é a regulamentação da Inteligência Artificial (IA), o aumento do piso para Microempreendedores Individuais (MEIs) e o projeto que criminaliza a misoginia. O projeto do fim da 6x1, enviado pelo Palácio do Planalto em meados de abril, não foi votado até o final de maio. Essa demora limitou as votações do plenário apenas a Propostas de Emenda Constitucional (PECs), Projetos de Decreto de Lei (PDLs) e requerimentos de urgência. Com a urgência retirada, a proposta do governo sobre a 6x1 não deve mais ser analisada pelos deputados no curto prazo. A intenção inicial do governo era pressionar o Congresso pela aprovação da matéria, especialmente após o presidente da Câmara ter abraçado a pauta. Mesmo com a aprovação da PEC do fim da 6x1 pelos deputados, o Planalto manteve a urgência do texto para forçar a análise pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). O senador, contudo, tem travado o avanço da PEC e ainda não a enviou à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Casa. A estratégia do Planalto era utilizar a urgência para que a Câmara enviasse o texto rapidamente ao Senado, impondo um prazo de 45 dias para a votação. Ao retirar essa ferramenta, o governo volta a depender da boa vontade do presidente do Senado para dar andamento à matéria, que aguarda uma reunião de líderes para definição de cronograma. Pautas de interesse Com a pauta liberada, a Câmara dos Deputados terá dias com menor movimentação. Na semana de 22 de junho, por exemplo, a Casa sequer terá votações em razão das festividades de São João e do jogo da seleção brasileira na Copa do Mundo de Futebol. Os líderes parlamentares chegaram a um acordo para um esforço concentrado na semana de 29 de junho, visando concluir a análise das propostas antes do recesso parlamentar, previsto para iniciar em 18 de julho. Entre os projetos com potencial de votação está o da IA, aprovado no Senado no final de 2024. Como a proposta deve sofrer alterações na Câmara, o texto precisará retornar aos senadores. O projeto estabelece os compromissos de empresas desenvolvedoras de IA no Brasil e orienta seu uso, criando o Sistema Nacional de Regulação e Governança de Inteligência Artificial (SIA). Outra prioridade é a atualização do faturamento dos MEIs. Atualmente, o teto é de R$ 81 mil anuais. O relator, deputado Jorge Goetten (Republicanos-SC), indica que seu parecer deve propor uma atualização para ao menos R$ 134 mil, podendo chegar a R$ 140 mil, além de prever o reajuste das faixas do Simples Nacional. Por último, espera-se a votação do projeto que tipifica a misoginia como crime, inserindo-a entre os delitos de preconceito ou discriminação previstos na Lei de Racismo. As penas propostas variam de dois a cinco anos de reclusão, acrescidas de multa. A deputada Tabata Amaral (PSB-SP), em seu parecer, incluiu a definição de misoginia como "a prática, a indução ou a incitação de violência, de restrição ao pleno exercício de direitos ou de ofensa à dignidade da mulher, em razão da condição de mulher". A meta é avançar com essas matérias até o recesso parlamentar.

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