IMPACTO GERAL ECONOMIA
Câmara avança em jornada 6x1 e setor de serviços alerta para freio em empregos
Mudança na escala de trabalho ameaça mais de 80 mil vagas formais e eleva custos operacionais, avalia Febrac. Decisão final ainda depende de trâmites no Congresso.
Setores essenciais da economia brasileira expressam forte apreensão com o avanço de uma proposta na Câmara dos Deputados que visa extinguir a escala de trabalho 6x1. Nesta segunda-feira, 04/05/2026, a discussão ganhou tração na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania, levando entidades como a Federação Nacional das Empresas Prestadoras de Serviços de Limpeza e Conservação (Febrac) a alertar para o risco iminente de elevação drástica dos custos operacionais e uma consequente desaceleração na criação de empregos formais.
A potencial mudança nas regras de jornada de trabalho impacta diretamente a dignidade de milhares de trabalhadores e a sustentabilidade de empresas em áreas vitais. A proposta, que busca alterar a jornada de trabalho no Brasil, gera particular preocupação em setores que dependem de operação contínua e intensiva em mão de obra, como limpeza, conservação e suporte operacional.
Nesses segmentos, a redução da carga horária sem a manutenção salarial exige, na prática, a contratação de mais trabalhadores para garantir o mesmo nível de funcionamento. Isso se traduz em um aumento direto da folha de pagamento, pressionando contratos já estabelecidos e a capacidade de investimento das empresas.
O presidente da Febrac, Edmilson Pereira, destaca que a proposta, sem ajustes paralelos nos encargos e um período de adaptação adequado, pode gerar um efeito reverso indesejado. "O aumento de custos pode levar empresas a reduzir contratações ou até cortar postos formais," alerta Pereira, ressaltando o risco de um ambiente mais propenso à informalidade e à precarização do trabalho.
A discussão, que é apenas uma etapa inicial na tramitação, ainda prevê a passagem por uma comissão especial antes de seguir ao plenário. Essa progressão indica que a decisão final está distante e sujeita a importantes modificações, mas já mobiliza o setor produtivo.
Dados do Novo Caged revelam que o segmento de serviços vinha em franca expansão, criando mais de 80 mil vagas formais entre janeiro e julho de 2025. Contudo, a avaliação das entidades empresariais é unânime: esse ritmo promissor pode perder força caso a alteração na jornada seja implementada sem um planejamento cuidadoso e medidas compensatórias.
O elevado custo estrutural da mão de obra no Brasil, com encargos significativos, amplia a pressão sobre as empresas. Qualquer alteração que encareça a operação tende a gerar um efeito cascata, resultando em repasses de custos para contratos, redução da capacidade de contratação e, em última instância, ajustes nas equipes operacionais.
Em contratos públicos, onde as limitações orçamentárias são uma constante, o espaço para absorver esses aumentos é ainda mais reduzido, podendo comprometer a qualidade e continuidade de serviços essenciais à população.
Diante deste cenário complexo, a Febrac defende a implementação progressiva de eventuais mudanças, acompanhada de medidas compensatórias e um diálogo construtivo entre governo, empresas e trabalhadores. A expectativa é que o tema ganhe intensidade nas próximas etapas de tramitação, ampliando o debate sobre os impactos econômicos e sociais da medida, especialmente em um mercado ainda sensível à geração de empregos formais e à manutenção da dignidade no trabalho.
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