IMPACTO DO CLIMA

Calor extremo afeta 1 bilhão a mais de pessoas desde 1970, aponta estudo

Pessoas sofrendo com calor intenso em ambiente urbano.
O calor extremo se tornou uma ameaça mais presente em todo o planeta.

Estudo na Nature Climate Change revela que 70% da população mundial já enfrenta dias de forte estresse térmico anualmente, um aumento significativo que acende alerta para saúde e vulnerabilidade.

Um bilhão de pessoas a mais em todo o mundo enfrentam temperaturas extremas anualmente, se comparado aos níveis da década de 1970. Essa escalada alarmante no estresse térmico global é impulsionada, em grande parte, pelo aquecimento do planeta, conforme revelado por uma análise publicada na revista científica Nature Climate Change. O estudo, intitulado “A intensificação do estresse térmico global e seu impacto crescente na população humana”, demonstra que o número de dias com calor extremo disparou nas últimas cinco décadas, com consequências diretas e preocupantes para a dignidade e a saúde de bilhões de indivíduos.

A pesquisa aponta que, nos anos 1970, cerca de 55% da população mundial experimentava, em média, 90 dias de forte estresse térmico ao longo de um ano. Este índice saltou para 70% no clima atual, evidenciando uma ampliação dramática da exposição humana a condições climáticas adversas. O Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) reforça essa preocupação ao destacar que aproximadamente 559 milhões de crianças já estão sujeitas a ondas de calor frequentes. Para os mais jovens, o calor extremo representa um perigo particular, pois sua capacidade de regular a temperatura corporal ainda é limitada, tornando-os mais suscetíveis a seus efeitos nocivos.

Os autores da análise definem a exposição ao calor extremo através do indicador "dias-pessoa de calor extremo", que quantifica o impacto combinando o número de indivíduos afetados e a duração da exposição a temperaturas perigosas. Os resultados recentes sinalizam as regiões de maior vulnerabilidade populacional, incluindo a África Subsaariana, o Sul e Sudeste Asiático, a Península Arábica e a área do Mediterrâneo. A decisão do planeta por uma trajetória de aquecimento, mesmo que não diretamente uma decisão de um órgão específico, tem efeitos concretos e devastadores.

As implicações vão muito além do desconforto. O calor intenso agrava o risco de desidratação, insolação, e exacerba doenças cardiovasculares e respiratórias. A consequência mais trágica é o aumento da mortalidade, atingindo de forma desproporcional idosos, crianças, trabalhadores expostos ao sol e populações já fragilizadas. Adicionalmente, as altas temperaturas impactam negativamente a produtividade econômica, comprometem a agricultura e ameaçam a segurança alimentar, gerando um ciclo de vulnerabilidade social e econômica. As regiões tropicais e subtropicais concentram a maior parte dessa exposição ampliada, com países em desenvolvimento sofrendo os efeitos mais severos, devido à sua localização geográfica e menor capacidade de adaptação.

Diante deste cenário, a comunidade científica reitera a urgência de ações concretas para reduzir as emissões de gases de efeito estufa. A pesquisa enfatiza a necessidade de investir em estratégias de adaptação, como a implementação de sistemas de alerta precoce para ondas de calor, a expansão de áreas verdes em centros urbanos, o aprimoramento da infraestrutura das cidades e a proteção reforçada às populações mais suscetíveis. Sem medidas efetivas para conter o aquecimento global, o estudo alerta que a exposição ao calor extremo continuará sua trajetória ascendente nas próximas décadas, elevando os riscos à saúde humana e aos sistemas socioeconômicos em escala global. O documento não menciona prazo final ou possibilidade de recurso imediato, indicando a natureza de constatação do estudo.

*Sob supervisão de AR.

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