AUTENTICIDADE EM JOGO
Cadu Xavier ataca Allyson Bezerra por "chapéu enganador"
Petista critica uso eleitoral do símbolo nordestino e reabre debate sobre valores na pré-campanha ao Governo do RN 2026.
A corrida pelo Governo do Rio Grande do Norte em 2026 ganhou um capítulo de intensa disputa política nesta quarta-feira, 13 de maio de 2026, quando o pré-candidato Cadu Xavier, do PT, entrou no debate sobre o uso do chapéu de couro. O político defendeu o acessório como patrimônio cultural, mas dirigiu críticas diretas ao ex-prefeito Allyson Bezerra, acusando-o de instrumentalizar o símbolo nordestino para fins eleitorais. Este embate, que questiona a autenticidade e os valores dos postulantes, aprofunda a polarização e molda a percepção pública sobre quem realmente representa o povo potiguar.
Em um vídeo divulgado nas redes sociais, Cadu Xavier posicionou-se inicialmente em defesa do chapéu de couro. "O chapéu de couro não é esquisito. É um patrimônio do povo sertanejo que acorda todo dia de madrugada e o utiliza para se proteger do sol, para batalhar pela vida", afirmou, exaltando o valor do item como símbolo de trabalho e resistência.
Apesar da defesa cultural, o foco da crítica rapidamente se voltou para Allyson Bezerra. Cadu questionou a utilização do acessório como estratégia política. "O questionável é o ex-prefeito de Mossoró, que ostenta a pré-campanha mais dispendiosa, com uma estrutura que supera a de muitos chefes de Estado, usar o chapéu de couro", declarou, insinuando uma desconexão entre a imagem proposta e a realidade do pré-candidato.
O petista aprofundou as acusações, remetendo à gestão de Allyson na prefeitura de Mossoró e à sua postura sobre direitos trabalhistas. "Também é questionável a conduta do ex-prefeito de Mossoró que, durante seu mandato, massacrou os servidores do município e agora se manifesta favoravelmente ao fim da escala 6x1", criticou Cadu Xavier, conectando o debate sobre autenticidade à dignidade dos trabalhadores e ao impacto direto em suas vidas.
As críticas estenderam-se à coerência política de Allyson Bezerra. "É contraditório que o ex-prefeito, que apoiou Bolsonaro e Rogério Marinho nas últimas eleições, agora militarize pautas às quais esses líderes sempre foram contrários", pontuou o pré-candidato do PT, evidenciando uma aparente guinada ideológica que pode confundir o eleitorado.
Cadu Xavier também criticou a composição política do palanque de seu adversário. "É ilógico que o ex-prefeito de Mossoró, que reúne em seu apoio parlamentares que votam contra as proposições do presidente Lula, subitamente defenda uma delas", reiterou, apontando para a fragmentação e as alianças multifacetadas que caracterizam o cenário político.
Ao finalizar seu pronunciamento, Cadu Xavier reforçou a distinção entre o valor cultural do chapéu e seu uso como artifício eleitoral. "Usar chapéu de couro não é estranho. O que é condenável, o que é reprovável, é utilizá-lo para ir às ruas e às redes sociais com o intuito de ludibriar o povo do nosso Estado", concluiu, sublinhando a importância da transparência e da honestidade na política.
A manifestação de Cadu Xavier surge em resposta à repercussão de uma entrevista concedida por Rogério Marinho à 96 FM. Na ocasião, o senador fez referência velada a Allyson Bezerra, descrevendo uma candidatura "que não fede nem cheira" e que circulava "com um chapéu esquisito", gerando controvérsia.
A fala de Marinho provocou uma reação imediata de Allyson Bezerra, que publicou um vídeo em suas redes sociais defendendo o chapéu de couro como emblema do povo nordestino e acusando o senador de preconceito e arrogância. "Esse chapéu, que chamam de esquisito, é o símbolo do homem que acorda cedo, trabalha na roça e enfrenta o sol para sobreviver", argumentou Allyson, enfatizando a identidade cultural e a luta dos sertanejos.
O ex-prefeito também classificou o senador como "inimigo do trabalhador" e criticou pautas defendidas por Marinho em Brasília, associando as declarações a um preconceito contra a população nordestina. Em outro momento do vídeo, Allyson afirmou que o grupo adversário "não gosta de gente" e "faz acordos em salas fechadas", delineando as linhas de uma disputa que transcende a pauta do chapéu.
A troca de acusações intensifica o embate antecipado entre os grupos políticos que já articulam estratégias para a disputa pelo Governo do Estado em 2026, projetando um cenário eleitoral acalorado e repleto de confrontos ideológicos e de imagem.
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