AUTONOMIA MÉDICA EM RISCO
Cade apura Rede D’Or por monitorar médicos
Denúncia detalha suposto rastreamento de encaminhamentos de pacientes para fora do grupo após a alta. Impacto na liberdade de escolha.
O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) abriu apuração após receber uma denúncia que acusa o grupo Rede D’Or de monitorar médicos nefrologistas. A prática, apontada na última semana, visaria identificar encaminhamentos de pacientes para fora da estrutura do grupo após a alta hospitalar e levanta sérias preocupações sobre a autonomia profissional e a liberdade de escolha dos pacientes no tratamento de saúde.
Esta conduta, se comprovada, pode ter um impacto profundo na dignidade dos profissionais de saúde e na confiança que os pacientes depositam em suas escolhas médicas. A acusação detalha que a Rede D’Or teria utilizado uma empresa terceirizada para contatar pacientes, questionando-os sobre a preferência por clínicas externas e a indicação de outros profissionais, um ato que, para especialistas, pode influenciar indevidamente a relação médico-paciente.
O documento ao qual o portal teve acesso revela que a denúncia inclui registros internos que indicariam um levantamento estruturado sobre os vínculos profissionais externos de nefrologistas. Entre as provas apresentadas, constam e-mails da diretoria médica solicitando tal mapeamento e planilhas com dados sobre a atuação dos especialistas fora da Rede D’Or. Há também relatos de abordagens diretas a médicos sobre suas atividades em outras instituições e os encaminhamentos realizados.
A denúncia ainda aponta que a SulAmérica, operadora de saúde que integra o mesmo grupo econômico, teria compartilhado informações sobre os locais de atuação dos médicos e possíveis direcionamentos de pacientes para unidades fora da rede. A Rede D’Or, procurada para comentar as acusações, não se manifestou até a publicação desta notícia nesta segunda-feira, 04 de maio de 2026. O espaço permanece aberto para posicionamento da companhia, que se apresenta como a maior empresa de saúde da América Latina.
Especialistas no setor de saúde destacam a relevância da decisão médica, principalmente em áreas como a nefrologia, que exige tratamento contínuo, como a diálise. Nesses casos, a escolha do local para a continuidade do cuidado é crucial e deve ser pautada na confiança e na autonomia profissional.
O Cade tem a responsabilidade de investigar práticas que possam ferir a livre concorrência e resultar em concentração de mercado ou restrição competitiva. Paralelamente, a denúncia foi protocolada na Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), órgão regulador e fiscalizador do setor. A ANS, que em 1º de maio de 2026 iniciou um novo modelo de fiscalização de operadoras, deve agilizar a análise de queixas como esta. A avaliação dos órgãos reguladores considerará não apenas os aspectos concorrenciais, mas também os potenciais impactos na qualidade da prestação assistencial, um tema sensível em um cenário de crescente integração entre operadoras e prestadores de serviços de saúde.
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