VOZ PÚBLICA EM PESO
Brasileiros veem Flávio Bolsonaro ligado a fraudes, revela Atlas
Pesquisa Atlas/Bloomberg aponta que 51,7% dos brasileiros acreditam em envolvimento com o Banco Master após conversas com Daniel Vorcaro.
A percepção pública sobre o envolvimento de figuras políticas em esquemas financeiros ganhou um novo capítulo nesta terça-feira, 19 de maio de 2026. Uma pesquisa Atlas/Bloomberg revelou que 51,7% dos brasileiros acreditam que o senador Flávio Bolsonaro (PL) está diretamente ligado a fraudes financeiras do Banco Master. Este dado emerge após a ampla repercussão de áudios e mensagens trocadas com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, gerando questionamentos sobre a ética política e o impacto em futuras candidaturas.
O levantamento, divulgado hoje, indica que a esmagadora maioria da população, 95,6%, tomou conhecimento dos áudios e mensagens entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro. Dentre estes, mais da metade associa o senador a um esquema de fraudes. Para uma parcela significativa, 33,3% dos entrevistados, as trocas de mensagens representam uma tentativa legítima do senador de obter apoio financeiro para a produção do filme "Dark Horse", que narra a história do ex-presidente Jair Bolsonaro. Outros 12,1% veem apenas uma relação de proximidade, sem comprovação de ilegalidade.
Esta é a primeira pesquisa nacional realizada após a divulgação das comunicações. O site Intercept Brasil publicou os documentos, mensagens e um áudio em 13 de maio de 2026, onde o senador negociava com o ex-banqueiro um repasse de R$ 134 milhões para financiar o filme "Dark Horse". Poucos dias depois, durante um evento em Florianópolis, Flávio Bolsonaro vestiu uma camisa com o slogan "O Pix é do Bolsonaro, o Master é do Lula", tentando distanciar-se da polêmica.
Apesar da defesa do senador, a pesquisa Atlas/Bloomberg revela que 43,3% dos brasileiros consideram os aliados de Bolsonaro como o grupo político mais envolvido no esquema de fraudes do Banco Master. Enquanto isso, 32,8% apontam os aliados de Lula, e 7,1% o Centrão. Para 16,1% dos entrevistados, todos os grupos estão igualmente implicados no esquema.
A principal linha de defesa de Flávio Bolsonaro e sua equipe tem sido a de que as conversas eram estritamente profissionais e que os vazamentos foram seletivos, visando prejudicar a pré-campanha do senador à Presidência. Contudo, 54,9% dos brasileiros interpretam o vazamento como "evidências obtidas em uma investigação legítima". Apenas 33% concordam com a tese do senador de que a divulgação é "uma tentativa de prejudicar politicamente Flávio Bolsonaro". Para 9,7% das pessoas ouvidas, ambas as opções têm o mesmo peso, e 2,5% não souberam responder.
Impacto no Cenário Eleitoral
A repercussão das mensagens trocadas entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro teve um impacto notável na percepção sobre a candidatura do senador. Para 45,1% dos entrevistados pela Atlas/Bloomberg, o episódio "enfraqueceu muito" sua postulação à Presidência. Outros 19% acreditam que "enfraqueceu um pouco", enquanto 15% consideram que "não afetou a candidatura". Curiosamente, 13,4% creem que o fato "fortaleceu a candidatura", e 7,3% não souberam avaliar.
Embora a leitura de enfraquecimento seja majoritária, o efeito parece ter sido menos pronunciado na base eleitoral do senador. Apenas 3,6% declararam-se "menos dispostos a votar" e 9,4% "muito menos dispostos a votar" após o episódio. Um expressivo 47,1% já não votariam em Flávio Bolsonaro de qualquer forma, e 21% afirmam que as mensagens "não afetam" sua disposição de voto. Por outro lado, 13,7% dos entrevistados se sentiram "muito mais dispostos a votar" em Flávio Bolsonaro após a divulgação das mensagens, com mais 5,1% declarando-se "mais dispostos a votar" no senador pelo mesmo motivo, um indicativo da polarização e lealdade da base.
A pesquisa ouviu 5.032 pessoas por meio de recrutamento digital aleatório (Atlas RDR) entre os dias 13 e 18 de maio de 2026. A margem de erro é de um ponto percentual, para mais ou para menos, com um nível de confiança de 95%. O estudo foi realizado com recursos próprios do instituto e está devidamente registrado no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) sob o protocolo BR-06939/2026, garantindo sua validade e conformidade com as normas eleitorais.
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