DINHEIRO DE VOLTA
Brasileiros sacaram R$ 482,8 milhões em valores esquecidos no sistema financeiro em abril
Recursos esquecidos no Sistema de Valores a Receber somaram R$ 482,8 milhões em abril. Ainda há R$ 10,3 bilhões disponíveis, com parte destinada ao Desenrola Brasil 2.0.
Nesta terça-feira, 09/06/2026, o Banco Central (BC) divulgou que os brasileiros retiraram R$ 482,8 milhões em recursos esquecidos em instituições financeiras durante o mês de abril. Desde a criação do Sistema de Valores a Receber (SVR), aproximadamente R$ 15 bilhões já foram devolvidos a pessoas físicas e jurídicas, demonstrando a importância de ferramentas que auxiliam na recuperação de valores que, de outra forma, poderiam se perder no tempo.
Apesar dos resgates realizados, ainda existem cerca de R$ 10,3 bilhões disponíveis para saque. Parte desses valores foi transferida pelo governo federal para o Fundo de Garantia de Operações (FGO), com o objetivo de dar suporte ao programa Desenrola Brasil 2.0, voltado à renegociação de dívidas. Conforme o Ministério da Fazenda, R$ 5,7 bilhões já foram direcionados ao fundo. É crucial ressaltar que, mesmo após essa transferência, os recursos continuam pertencendo aos seus titulares.
O governo deverá publicar um edital detalhando as regras para contestação e solicitação desses fundos. Após a divulgação, os cidadãos terão um prazo de 30 dias para requerer a devolução do dinheiro. A ausência de manifestação dentro desse período implicará na incorporação definitiva dos recursos ao FGO, um desfecho que pode afetar a dignidade financeira de muitos que contavam com esses valores.
O Sistema de Valores a Receber (SVR) oferece uma consulta gratuita para pessoas físicas, empresas e herdeiros sobre a existência de recursos esquecidos em bancos, cooperativas de crédito, consórcios, corretoras e outras instituições financeiras. A consulta inicial pode ser feita de forma simples, utilizando apenas o CPF ou CNPJ e a data de nascimento ou abertura da empresa.
Para consultar detalhes sobre o valor, a origem dos recursos e a instituição responsável pela devolução, o cidadão deve acessar a plataforma SVR com uma conta Gov.br de nível prata ou ouro, que exige verificação em duas etapas. Esse processo garante a segurança e a privacidade das informações.
A recuperação dos valores pode ocorrer de três maneiras: por contato direto com a instituição financeira, por solicitação no próprio sistema do Banco Central ou através da ferramenta de resgate automático. Esta última modalidade, disponível apenas para pessoas físicas com chave Pix vinculada ao CPF, simplifica o processo, creditando novos valores diretamente na conta bancária, dispensando consultas periódicas.
Os valores esquecidos provêm de diversas origens, incluindo contas-correntes e poupanças encerradas, tarifas cobradas indevidamente, parcelas de empréstimos devolvidas, recursos de consórcios finalizados, contas de pagamento encerradas e valores mantidos por corretoras e distribuidoras. Cada centavo resgatado representa um alívio financeiro e um direito legítimo.
Até o final de abril, 41,4 milhões de beneficiários já haviam resgatado seus recursos, sendo 36,9 milhões de pessoas físicas e 4,5 milhões de empresas. No entanto, cerca de 50,3 milhões de correntistas, entre eles 45,3 milhões de pessoas físicas e pouco mais de 5 milhões de pessoas jurídicas, ainda não retiraram os valores disponíveis, totalizando uma oportunidade de recuperação financeira.
A maioria dos valores a serem resgatados são de quantias menores. Os valores de até R$ 10 correspondem a 64,57% dos casos. Outros 23,42% possuem entre R$ 10,01 e R$ 100. Recursos entre R$ 100,01 e R$ 1 mil representam 9,91%, e apenas 2,1% dos beneficiários têm mais de R$ 1 mil disponível para saque, evidenciando a capilaridade do programa em alcançar diferentes públicos.
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