DIPLOMACIA E CUSTÓDIA
Brasileiros detidos na Islândia seguem retidos sem previsão de retorno
Enquanto tripulantes de outras nacionalidades já foram liberados, quatro brasileiros permanecem detidos sob questionamentos sobre a legalidade da abordagem.
Quatro cidadãos brasileiros permanecem detidos na Islândia após uma operação da Guarda Costeira contra uma embarcação de ativistas ambientais, o que motiva um pedido urgente de auxílio diplomático por parte da Sea Shepherd Brasil. A decisão de manter os brasileiros em custódia foi tomada pelas autoridades locais após a interceptação do navio, ocorrida no último dia 31 de julho de 2026, com o objetivo declarado de impedir ações contrárias à caça comercial de baleias-fin.
Os brasileiros Victor Calixto, Lucas Barbosa, Vitor Young e Rui Amorim faziam parte da tripulação internacional do Bandero, embarcação operada pela Captain Paul Watson Foundation. Enquanto os outros 16 tripulantes de diversas nacionalidades já foram deportados ou tiveram seus processos de saída encaminhados, o grupo brasileiro ainda enfrenta obstáculos burocráticos. A Sea Shepherd Brasil formalizou, nesta terça-feira (11), uma nova solicitação ao Itamaraty para que o Governo Brasileiro intensifique a pressão diplomática junto a Oslo.
A situação impõe um desgaste severo aos indivíduos, que relatam privações. Segundo a fundação, a justificativa das autoridades islandesas para a demora seria a necessidade de escolta e maior organização logística para passageiros que necessitam deixar o Espaço Schengen. Contudo, a disparidade de tratamento em relação a outros cidadãos europeus, que obtiveram trâmites simplificados, gera indignação.
Nathalie Gil, presidente da Sea Shepherd Brasil, enfatiza que o acompanhamento consular é insuficiente. “Os quatro brasileiros precisam voltar para casa e dependem de procedimentos das autoridades islandesas. O Governo Brasileiro deve atuar diretamente, cobrando uma definição e pressionando para que todas as providências necessárias ao retorno sejam tomadas com urgência”, afirmou.
Além da retenção, a Captain Paul Watson Foundation questiona a legalidade da abordagem, alegando que a interceptação ocorreu além do limite das 12 milhas náuticas da costa. A entidade denuncia supostas violações, incluindo restrição ao contato com familiares, limitações de acesso à defesa jurídica e a exigência de senhas de dispositivos eletrônicos como condição para ligações. O Itamaraty foi contatado para esclarecimentos, mas não retornou até o momento.
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