ALERTA DE SAÚDE
Brasil teme reintrodução do sarampo às vésperas da Copa, com foco em turistas
Organização Mundial da Saúde declara país livre da doença, mas altos casos nas Américas e vacinação abaixo do ideal preocupam autoridades às vésperas do evento esportivo mundial.
{ "blocks": [ { "key": "1c3o1", "text": "A Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou o Brasil livre da circulação do sarampo em 2024, um marco de saúde pública alcançado pela primeira vez em 2016. No entanto, o país enfrenta um risco iminente de reintrodução da doença, conforme alerta o Ministério da Saúde. A preocupação se intensifica às vésperas da Copa do Mundo, especialmente devido ao aumento de casos nas Américas e à cobertura vacinal que, embora alta, apresenta desafios em certas regiões. A reintrodução do sarampo representa um retrocesso na saúde coletiva e coloca em risco a dignidade e o bem-estar da população, especialmente crianças e imunossuprimidos, que correm maior risco de complicações graves e até morte.", "type": "paragraph" }, { "key": "6d9h2", "text": "O diretor do Programa Nacional de Imunizações (PNI) do ministério, Eder Gatti, destacou em nota técnica que a ameaça é reforçada pela alta de infecções nas Américas. Os Estados Unidos, Canadá e México, sedes da Copa do Mundo de futebol, concentraram 67% das infecções do continente em 2025, segundo dados da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS). Este cenário eleva o risco para turistas que viajarão para acompanhar os jogos.", "type": "paragraph" }, { "key": "3f5j7", "text": "O infectologista Alberto Chebabo, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), considera a situação grave: 'Mesmo países com cobertura vacinal adequada, como o Brasil, estão sob risco de ter um respingo dessa situação que está fora de controle no mundo, inclusive em países desenvolvidos'. A declaração sublinha a interconexão global das ameaças à saúde.", "type": "paragraph" }, { "key": "a9s4l", "text": "No Brasil, a cobertura vacinal em 2025 para o sarampo atingiu 92,66% para a 1ª dose e 78,02% para o reforço. Marilda Siqueira, chefe do Laboratório de Vírus Respiratórios, Exantemáticos, Enterovírus e Emergências Virais do Instituto Oswaldo Cruz, pondera que o impacto da entrada do vírus é reduzido pela alta imunidade da população, o que freia a disseminação. Contudo, ela alerta que o vírus, altamente contagioso, encontra indivíduos não imunizados. 'A melhor alternativa é se vacinar', recomenda.", "type": "paragraph" }, { "key": "e7p2o", "text": "O Ministério da Saúde orienta que pessoas que pretendem viajar para a Copa tomem a tríplice viral (sarampo, rubéola e caxumba) pelo menos 15 dias antes da viagem. Crianças a partir de 6 meses que forem viajar para áreas endêmicas podem ter a aplicação das doses antecipada. A vacina contra o sarampo, produzida a partir do vírus vivo atenuado, é essencial para o desenvolvimento de anticorpos e a proteção individual e coletiva. A estratégia de vacinação foi adotada no Brasil em 1968, mas só se tornou uma medida de controle efetiva 20 anos depois, com a distribuição ampla a todos os postos de saúde. O protocolo foi atualizado em 1997 para duas doses e ampliação do público-alvo, resultando em uma queda drástica nos contágios e mortes, com o país sendo declarado livre da doença em 2001.", "type": "paragraph" }, { "key": "k8m1x", "text": "A percepção da gravidade da doença diminuiu com sua contenção no Brasil, levando a um contingente de jovens e adultos sem as duas doses da vacina. O discurso antivacina e a desinformação sobre a imunização, exacerbados pela pandemia de covid-19, que viu um surto expressivo em 2019 com 21,7 mil casos, contribuem para a hesitação dos pais em vacinar os filhos. Segundo Samuel de Melo Barbosa, cientista político da UFPE, há correlação entre a desconfiança na vacinação e a queda na cobertura vacinal. Fátima Soares, enfermeira do Programa Municipal de Imunizações de São Paulo, destaca a importância de atuar na hesitação, que gera atrasos no calendário vacinal.", "type": "paragraph" }, { "key": "g2t6v", "text": "A disparidade regional na cobertura vacinal é outra vulnerabilidade. Bolsões com índices abaixo do ideal no Norte do país, por exemplo, são locais onde uma reintrodução do vírus pode desencadear um surto. A falta de estrutura em alguns municípios, como a carência de equipamentos de proteção individual (EPIs) e o desvio de função de agentes comunitários de saúde em Manaus, compromete o registro de casos suspeitos e o rastreio de contatos. A alta rotatividade de equipes temporárias também exige treinamento constante.", "type": "paragraph" }, { "key": "z5w9y", "text": "Diante desses desafios, o Ministério da Saúde e as secretarias estaduais e municipais intensificam campanhas de vacinação e vigilância epidemiológica. A identificação de um caso suspeito dispara uma cadeia de investigação, com exames laboratoriais para confirmação e busca ativa de contatos. O sequenciamento genético do vírus auxilia no rastreamento da origem da infecção. Alberto Chebabo ressalta que a ausência de casos secundários após os três confirmados neste ano demonstra a eficácia da vigilância e do controle.", "type": "paragraph" }, { "key": "r3q8u", "text": "O sarampo é uma doença viral altamente contagiosa, transmitida por secreções respiratórias. Até 90% dos não vacinados em contato com um infectado podem adoecer. Os sintomas incluem febre alta, manchas avermelhadas, coriza, irritação nos olhos e dor no corpo, podendo evoluir para pneumonia, otite, sinusite, surdez e até morte. Crianças menores de um ano e imunossuprimidos são os mais vulneráveis a complicações graves e óbito. Thereza Lopes, que vivenciou a doença na infância, enfatiza a importância da ciência e da vacinação para a qualidade de vida e a proteção contra o enfraquecimento que qualquer doença pode causar.", "type": "paragraph" } ] }
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