EQUILÍBRIO SOCIAL
Brasil tem mais mulheres que homens, aponta IBGE
Dados da PNAD Contínua 2025 revelam 95 homens para cada 100 mulheres; a diferença afeta a dinâmica social e individual.
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou, nesta sexta-feira, 17 de abril de 2026, os novos números da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua 2025. Os dados revelam uma proporção de 95 homens para cada 100 mulheres no Brasil, consolidando uma tendência demográfica que ecoa nas dinâmicas sociais e nas experiências individuais de muitos brasileiros. Essa diferença, que se torna mais acentuada com o envelhecimento da população, reflete diretamente em aspectos como a expectativa de vida e a mortalidade em diferentes faixas etárias, impactando a percepção da vida social, especialmente para mulheres acima dos 40 anos.
O fenômeno de haver mais mulheres do que homens não é novidade no País. A série histórica da PNAD mostra que, desde 2012, a população residente já contava com 48,9% de homens e 51,1% de mulheres, uma proporção que se manteve estável até 2018 e teve uma ligeira alteração em 2019, chegando a 48,8% e 51,2%. Esses percentuais permaneceram consistentes até 2024, indicando uma consolidação dessa configuração demográfica.
As causas por trás dessa disparidade são complexas e multifacetadas. Embora biologicamente nasçam de 3% a 5% mais homens do que mulheres em todo o mundo, essa proporção se inverte no Brasil por volta dos 24 anos. Demógrafos apontam que as chamadas “causas externas”, como acidentes graves e violência urbana, vitimam significativamente mais homens jovens. Além disso, as mulheres tendem a cuidar mais da própria saúde, buscando serviços médicos com maior frequência e adotando hábitos mais saudáveis, o que contribui para uma expectativa de vida feminina globalmente superior.
O último Censo, realizado em 2022, já evidenciava essa realidade, registrando 104.548.325 mulheres contra 98.532.431 homens no Brasil – uma diferença de aproximadamente 6 milhões. Com a transição demográfica brasileira, caracterizada pelo envelhecimento da população e a redução das taxas de natalidade, essa diferença torna-se ainda mais proeminente em faixas etárias avançadas, onde a proporção de mulheres é notoriamente mais elevada.
A tendência de predominância feminina se manifesta em quase todas as regiões e Estados brasileiros, conforme os dados da PNAD. O Rio de Janeiro destaca-se com a maior diferença proporcional, seguido por Sergipe e Ceará. Contudo, há exceções notáveis: Tocantins apresenta uma proporção de 105,5 homens para cada 100 mulheres, Mato Grosso registra 101,1 e Santa Catarina, 100,2. Essas particularidades regionais podem estar ligadas a fatores como o tipo de oferta de trabalho, que, em áreas com atividades como mineração ou agronegócio, pode atrair uma maior população masculina.
Curiosamente, essa diferença na composição populacional não é necessariamente um indicador negativo para o bem-estar feminino. Um estudo do professor de Ciência Comportamental da London School of Economics, Paul Dolan, sugere que mulheres solteiras e sem filhos tendem a ser mais felizes e saudáveis do que as casadas. Segundo o pesquisador, enquanto homens se beneficiam significativamente do casamento ao adotar hábitos mais saudáveis e receber apoio emocional, as mulheres frequentemente enfrentam uma sobrecarga de obrigações profissionais e domésticas, como os cuidados com a casa e os filhos, o que pode impactar sua qualidade de vida.
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