COTA PRESTES A ACABAR
Brasil se aproxima do limite da cota de carne bovina para a China, aponta StoneX
Nível de 98,5% da exportação sem tarifa de 55% já impacta abates e leva frigoríficos a férias coletivas. Saldo deve se esgotar em agosto, mas consultoria prevê retomada em 2027.
O Brasil está a um passo de esgotar sua cota de exportação de carne bovina destinada à China. Uma análise da StoneX, empresa global de serviços financeiros, divulgada na segunda-feira, 6 de julho de 2026, indica que o país já atingiu 98,5% do volume permitido sem a incidência de uma tarifa de 55%. Essa situação já força frigoríficos a reduzir o ritmo de abates.
A China, principal destino da carne bovina brasileira, estabeleceu uma cota de 1,1 milhão de toneladas para este ano. Produtos que excedem esse limite enfrentam a tarifa elevada de 55%, medida adotada para proteger sua própria produção. O quase preenchimento dessa cota já demonstra impactos significativos na indústria frigorífica nacional, especialmente durante o terceiro trimestre.

Os cálculos da StoneX abrangem os embarques realizados entre novembro de 2025 e 30 de junho de 2026. Segundo a consultoria, o volume restante da cota deve ser completamente utilizado até agosto.
“Há uma expectativa de maior oferta de carne bovina no mercado interno, também possibilidades de remanejamento de oferta, mas a 1ª reação da indústria foi diminuir os abates”, explicou Larissa Barboza Alvarez, analista de inteligência de mercado da StoneX. Essa redução na atividade afeta diretamente os trabalhadores do setor e a economia local.
O primeiro semestre de 2026 foi marcado por recordes nas exportações brasileiras de carne bovina. Foram embarcadas 1,705 milhão de toneladas, gerando uma receita de US$ 9,85 bilhões, conforme dados oficiais da Abiec (Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes). A StoneX atribui parte dessa aceleração às cotas estabelecidas pela China para o ano.
Apesar do cenário atual, a consultoria projeta uma retomada nas exportações para o mercado chinês a partir do quarto trimestre de 2026, com a entrada em vigor da nova cota para 2027. Isso sinaliza a importância estratégica desse mercado para o agronegócio brasileiro e a necessidade de adaptação constante às políticas comerciais internacionais.
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