PRÁTICAS ANTICONCORRENCIAIS REPRIMIDAS

SAMR multa Trip.com em US$ 765 mi por abuso de posição dominante na China

Bandeira da China
Bandeira da China em destaque.

Gigante das viagens forçava hotéis a acordos de exclusividade. Penalidade equivale a 7,5% das vendas da empresa no país em 2025.

A gigante de viagens on-line Trip.com foi multada em 5,18 bilhões de yuans (US$ 765 milhões) pela agência reguladora de mercado da China. A sanção foi anunciada no sábado (25.jul.2026) pela SAMR (Administração Estatal de Regulação de Mercado), que concluiu que a empresa abusou de sua posição dominante ao obrigar estabelecimentos hoteleiros a firmar acordos de exclusividade e cumprir exigências de paridade de preços.

A decisão da SAMR impacta diretamente o ecossistema de turismo, visando proteger a liberdade comercial dos operadores hoteleiros e garantir um mercado mais justo para os consumidores. Ao restringir a operação de hotéis em múltiplas plataformas, a gigante do setor prejudicava a livre concorrência, forçando pequenos e médios empreendedores a aceitarem condições rígidas sob pena de perda de tráfego e multas financeiras.

Segundo a investigação, iniciada em janeiro, a Trip.com utilizava sua infraestrutura tecnológica para monitorar preços e impedir que hotéis oferecessem tarifas melhores em canais concorrentes. Quando um preço menor era detectado em outro site, a plataforma realizava ajustes manuais ou automatizados para forçar a paridade, impondo penalidades caso as normas não fossem seguidas.

O valor total da multa inclui o confisco de 1,66 bilhão de yuans em ganhos ilícitos e uma penalidade pecuniária de 3,52 bilhões de yuans, representando 7,5% das receitas da empresa no país em 2025. Além disso, a Trip.com foi condenada a restituir 122 milhões de yuans a operadores cujos depósitos haviam sido retidos de forma abusiva. A decisão é definitiva dentro da esfera administrativa chinesa.

Liu Xu, pesquisador do Instituto Nacional de Estratégia da Universidade de Tsinghua, observou que a penalidade severa reflete a resistência da empresa em corrigir condutas apontadas anteriormente por autoridades de regiões como Sichuan, Guizhou, Hong Kong e Coreia de Sul. Em nota, a Trip.com afirmou que acatou a decisão e se comprometeu a realizar as mudanças necessárias para adequação à Lei Antimonopólio.

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