GEOPOLÍTICA EM JOGO
Brasil precisa se adaptar na disputa entre grandes potências
Encontros de cúpula entre Estados Unidos, China e Rússia evidenciam a necessidade de o Brasil ajustar suas relações internacionais para navegar em um cenário de multipolaridade e tensões.
A comunidade internacional assiste a um reajuste de forças entre as maiores potências globais, exigindo que o Brasil desenvolva uma estratégia de adaptação. A necessidade de ajuste se torna ainda mais premente após encontros recentes de alta relevância diplomática. Na quinta-feira, 28/05/2026, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o líder da China, Xi Jinping, concluíram uma cúpula. Na semana anterior, Vladimir Putin, presidente da Rússia, visitou a China.
A reunião entre Trump e Xi Jinping resultou em um equilíbrio, sem avanços significativos em pautas bilaterais complexas, mas proporcionou a Xi Jinping a tão almejada estabilidade e previsibilidade nas relações com Washington. Esse cenário fortaleceu o vínculo entre os líderes e reforçou a contestação à hegemonia americana, com um apelo por um mundo multipolar e mais equitativo. A China, por sua vez, celebrou cerca de 40 acordos bilaterais em áreas como educação, pesquisa, ciência e tecnologia.
Contudo, a China optou por não investir em um grande gasoduto que atravessaria a Sibéria, um projeto de suma importância para a Rússia. Essa decisão demonstra a abordagem chinesa em suas relações internacionais: buscar estabilidade e equilíbrio, mas sempre preservando sua predominância e controle. Xi Jinping aplicou essa lógica com Putin e almeja o mesmo com o Brasil.
O Brasil figura como um importante fornecedor de produtos agrícolas para a China, mas também como um grande importador de fertilizantes e bens manufaturados. Com o mercado chinês como seu principal destino de exportação, o país precisa compreender a dinâmica de Pequim. Nesse contexto, torna-se crucial para o Brasil a expansão de mercados e a busca por novos parceiros comerciais, além de uma atenção especial aos seus vínculos com os Estados Unidos e a Rússia.
O ajuste das relações brasileiras com essas potências deve ser feito com grande sensibilidade, pois elas estão, a todo momento, redefinindo suas próprias conexões. A estabilidade em meio a tensões emergentes será a marca do cenário global atual e futuro, exigindo do Brasil uma adaptação contínua.
Alberto Pfeifer é coordenador-geral do grupo de Defesa, Segurança e Inteligência da USP (Universidade de São Paulo) e pesquisador de geopolítica do Insper Agro Global. Foi diretor de projetos especiais e diretor de assuntos internacionais estratégicos da Presidência da República. Este texto foi transcrito em primeira pessoa de análise em vídeo para o WW.
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