EDUCAÇÃO EM FOCO
Brasil precisa de líderes com 'fanatismo' e 'obsessão' pela educação, diz Denis Mizne
CEO da Fundação Lemann defende maior integração de dados educacionais e "fanatismo" de gestores pela melhoria do ensino. Projeto Brasil Adiante discute soluções para o País.
O CEO da Fundação Lemann, Denis Mizne, defendeu nesta quinta-feira, 11 de junho de 2026, durante o evento Brasil Adiante, a necessidade de maior integração de informações entre os sistemas educacionais do País. Para Mizne, o governo federal deveria coordenar uma plataforma capaz de reunir dados sobre matrículas, estudantes e professores, comparando a iniciativa à agilidade do Pix na gestão educacional. Segundo ele, essa centralização de informações facilitaria a gestão das redes de ensino, e já existem esforços nesta direção.
O Brasil Adiante é uma iniciativa do Estadão voltada para a apresentação de propostas concretas para os principais desafios do País. O ciclo de debates se estende até o final de agosto, após o início da campanha eleitoral. As soluções desenvolvidas serão compiladas em um documento a ser entregue em novembro ao vencedor das eleições presidenciais, com o objetivo de estabelecer uma agenda integrada e executável para os primeiros 24 meses do próximo governo.
Denis Mizne ressaltou que a solução dos problemas educacionais passa pela priorização da área pelo próximo governo e pela adoção de um "fanatismo" e "obsessão" por parte dos gestores. "Precisamos de líderes obcecados em resolver os problemas da educação", declarou o especialista, enfatizando que "vontade política não é um traço fixo. A gente pode mudar."

Ao discutir o uso de tecnologia nas escolas, Denis Mizne alertou que a inteligência artificial, por si só, não erradicará os desafios educacionais. "A gente olha para esse negócio e pensa: ‘agora vai, o problema está resolvido’. E não vai", afirmou. Para que a tecnologia gere resultados, sua implementação deve ser cuidadosamente planejada, com foco em impactos concretos na aprendizagem.
O especialista avalia que o programa de alfabetização do governo federal, com meta de erradicar o analfabetismo até o final da década, não deve ser interrompido. Mizne sugere, inclusive, que as metas da iniciativa sejam elevadas, com estímulo à proficiência em matemática, equiparando sua importância à da alfabetização.
Critérios mais duros na avaliação de cursos
Denis Mizne, CEO da Fundação Lemann, observa o crescimento acelerado do ensino técnico no País, impulsionado por incentivos financeiros e programas de estímulo à matrícula. Ele percebe uma mudança na percepção de famílias e estudantes, que buscam "concrentudes". Para Mizne, esse avanço é positivo, mas requer critérios mais rigorosos: "Tem que ter critérios mais duros, avaliar com mais qualidade e garantir que o curso faz sentido e está sendo efetivamente entregue."
Veja o cronograma do Brasil Adiante
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