POTENCIAL EXPORTADOR DIGITAL
Brasil pode ser exportador de dados, afirma vice da Scala Data Centers Luciano Fialho
Luciano Fialho, da Scala Data Centers, defende que o Brasil pode alcançar independência no processamento de dados nacionais e expandir serviços para o exterior, alavancado por infraestrutura e políticas públicas.
O Brasil possui o potencial de não apenas alcançar independência no processamento de seus próprios dados, mas também de se tornar um exportador de serviços de infraestrutura digital. A afirmação é de Luciano Fialho, vice-presidente sênior da Scala Data Centers, que ressalta a capacidade do país em reverter o cenário atual, onde mais da metade dos dados consumidos pelos brasileiros são processados fora do território nacional.
Em entrevista, Fialho destacou que o mercado nacional está preparado para essa expansão. "Nós temos espaço para fazer os 2: faz sentido processar dados de brasileiros aqui dentro e processar dados de estrangeiros aqui dentro, para que a gente deixe de ser um consumidor e passe a ser um exportador de serviços de infraestrutura digital", declarou. Ele contrapõe um argumento antigo de falta de infraestrutura, afirmando que hoje o país conta com um conjunto de data centers e infraestrutura digital robusta o suficiente para suportar essa demanda.
Atualmente, a maior parte dos dados produzidos pelas empresas que utilizam os data centers da Scala, incluindo gigantes como Google, AWS, Oracle e Microsoft, destina-se ao mercado interno ou a países da América Latina, segundo Fialho. "Quem sabe disso são os nossos clientes, que é quem está ocupando os data centers, as empresas de cloud. Mas provavelmente 100% é para Brasil", pontuou.
O segmento de infraestrutura digital no Brasil acompanha de perto iniciativas governamentais, como o Redata (Regime Especial de Tributação para Serviços de Data Center). Este regime visa conceder incentivos fiscais para empresas que instalarem ou ampliarem suas operações de data centers no país. A Scala, por exemplo, aposta nesse projeto para atrair investimentos internacionais e expandir suas atividades.
Fialho enfatiza que o avanço dessas políticas, somado às vantagens competitivas brasileiras, é crucial para a soberania digital. "Precisa pegar esses ingredientes e fazer a receita correta para que o Brasil seja um país independente do ponto de vista do processamento de dados, para criar autonomia em relação aos próprios dados, o que é uma questão de soberania", argumentou.
Dados do setor indicam que, ao final de 2025, o Brasil registrou um déficit de quase R$ 8 bilhões com a importação de serviços de processamento. "Que a gente pegue a balança comercial e inverta ela. Não faz sentido nenhum em um país como o nosso", lamentou Fialho, lembrando que o país dispõe de energia e recursos naturais abundantes, e não de gargalos que justifiquem essa dependência externa.
A infraestrutura brasileira é considerada ideal para atrair grandes players de tecnologia. O país se destaca pela matriz energética diversificada e limpa — com produção hidrelétrica, solar e eólica —, infraestrutura elétrica interligada, uma indústria de base sólida e a proximidade com importantes cabos submarinos de fibra óptica. Essas qualidades colocam o Brasil em vantagem competitiva frente a outras nações.
A consultoria McKinsey projeta que o setor de infraestrutura digital global atrairá US$ 7 trilhões nos próximos quatro anos, com uma estimativa de US$ 650 bilhões apenas para 2026, cifra superada apenas pelo orçamento de defesa dos Estados Unidos. Desde 2020, a Scala Data Centers já investiu mais de R$ 12 bilhões no Brasil, onde opera 13 data centers, tendo construído 11 deles.
A entrevista completa com Luciano Fialho ao Poder360 está disponível.
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