INVESTIMENTO EM MOBILIDADE

Brasil pode atrair R$ 5,1 bilhões para expandir rede de recarga de veículos elétricos até 2035

Imagem ilustrativa de um posto de recarga para veículos elétricos no Brasil
Brasil pode atrair R$ 5,1 bilhões para ampliar rede de recarga de veículos elétricos até 2035

Estudo da C40 Cities e IFC aponta o País como segundo maior mercado potencial entre economias emergentes, com potencial para R$ 5,1 bilhões em investimentos até 2035. Expansão de frota eletrificada exige infraestrutura.

O Brasil está posicionado para atrair até US$ 980 milhões, o equivalente a R$ 5,1 bilhões, em investimentos destinados à ampliação da infraestrutura pública de recarga para veículos elétricos até 2035. Essa projeção, divulgada em um estudo da C40 Cities e da International Finance Corporation (IFC), braço do setor privado do Banco Mundial, destaca a necessidade de um crescimento significativo na rede de eletropostos para acompanhar a expansão acelerada da frota de veículos eletrificados no País. A decisão de focar nessa expansão é motivada pelo rápido avanço da tecnologia e pela demanda crescente, e sua importância reside na viabilização de uma mobilidade mais sustentável e na atração de capital privado para o setor.

O relatório, divulgado na sexta-feira, 12 de junho de 2026, posiciona o Brasil como o segundo maior mercado com potencial de atração de capital privado em larga escala para suprir a demanda por recarga de veículos elétricos puros e híbridos plug-in, ficando atrás apenas da Índia entre as quatro economias emergentes analisadas. A pesquisa foi desenvolvida em parceria com o The Climate Pledge e com o governo da Suíça, sob o título "Análise de Mercado da Infraestrutura Pública de Recarga para Veículos Elétricos em Cidades".

O estudo avaliou tendências de mercado, necessidades de investimento, o ambiente regulatório e as iniciativas de governos locais no Brasil, México, Colômbia e Índia. Nesses quatro países, os investimentos totais estimados para a infraestrutura de recarga até 2035 somam US$ 3,8 bilhões (R$ 19,5 bilhões). A Índia lidera a projeção com US$ 1,9 bilhão (R$ 9,8 bilhões), seguida pelo Brasil com US$ 980 milhões (R$ 5,1 bilhões), México com US$ 760 milhões (R$ 3,9 bilhões) e Colômbia com US$ 184 milhões (R$ 942 milhões).

O crescimento expressivo da demanda por veículos eletrificados tem impulsionado essas projeções. Bianca Macedo, líder global de finanças para transporte limpo da C40 e coautora do relatório, informa que o mercado dos quatro países analisados saltou de aproximadamente 40 mil veículos eletrificados em 2020 para mais de um milhão em 2025, com um crescimento anual médio de 130%. No Brasil, o avanço foi ainda mais notável, com as vendas saindo de 7,3 mil unidades em 2020 para 400,9 mil veículos eletrificados em 2025, representando 6,5% de todos os automóveis novos comercializados. Contudo, a infraestrutura de abastecimento não acompanhou o mesmo ritmo.

Em 2020, o Brasil contava com cerca de 800 carregadores públicos e semipúblicos. Em cinco anos, esse número expandiu para aproximadamente 17 mil pontos. Ainda assim, o estudo projeta a necessidade de cerca de 86 mil carregadores até 2035 para atender adequadamente à mobilidade elétrica. A concentração da infraestrutura nas regiões Sudeste e Sul, especialmente em São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília, limita a expansão do mercado e contribui para a "ansiedade de autonomia", um obstáculo frequente para a migração para veículos eletrificados.

Bianca Macedo ressalta que a expansão da infraestrutura de recarga representa uma "oportunidade de investimento enorme, principalmente para os investidores privados". O relatório enfatiza o papel crucial dos municípios na aceleração desses investimentos, sugerindo medidas como a disponibilização de terrenos públicos e espaços urbanos para a instalação de estações de recarga. Isso reduz custos de implantação e aumenta a atratividade econômica dos projetos, com governos locais atuando como catalisadores de desenvolvimento, especialmente onde a iniciativa privada enfrenta dificuldades.

O Rio de Janeiro serve como exemplo, com a implementação de projetos-piloto de recarga em 2025 e 2026 em parceria com a rede C40 Cities. O Eletroposto Carioca, na Barra da Tijuca, e uma unidade na Avenida Brasil, ambos com carregadores rápidos e ultrarrápidos, são exemplos. A meta da prefeitura é alcançar 18 eletropostos públicos até 2028, iniciativa que pode inspirar outras cidades brasileiras a expandir sua participação na transição para uma economia de baixo carbono. A decisão de investir em infraestrutura pública é definitiva, mas cabe aos municípios e governos locais a articulação para a captação desses recursos e a execução dos projetos.

A expansão da infraestrutura de recarga é fundamental para consolidar o crescimento da mobilidade elétrica no País. Sem uma rede robusta e capilarizada, o avanço das vendas poderá ser limitado, reduzindo o potencial de atração de investimentos e a descarbonização do setor de transportes nas próximas décadas. O estudo não detalha prazos para recursos, mas a urgência da infraestrutura é evidente.

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