DÉFICIT DE ARMAZENAGEM
Brasil estoca metade da safra e amplia custos logísticos
Enquanto os Estados Unidos possuem capacidade para 150% de sua produção, o Brasil armazena apenas metade da safra, o que eleva custos e dificulta escoamento.
O Brasil consegue estocar apenas cerca de metade de sua safra de grãos, um cenário que contrasta com os Estados Unidos, onde a capacidade de armazenamento equivale a 150% da produção, com mais de 65% dos silos localizados dentro das propriedades rurais. Nas fazendas brasileiras, a capacidade de estocagem representa somente 17% do total disponível, uma deficiência que amplia significativamente os custos logísticos e dificulta o escoamento eficiente da produção agrícola. Essa informação foi divulgada nesta segunda-feira, 06/07/2026, com base em um relatório que analisa a dinâmica do setor.
Os dados compilados no relatório "Retrato da Logística de Grãos do Brasil" apontam para a tecnologia como um vetor central para a competitividade no agronegócio. A pesquisa foi elaborada pela nstech, uma das maiores empresas de software para supply chain da América Latina, utilizando informações da Esalq-Log, da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) e do Ministério dos Transportes.
A previsão da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) indica que a produção de grãos deve alcançar um recorde de 356,3 milhões de toneladas no ciclo 2025/26, impulsionada pelo aumento da produtividade e da área cultivada. No entanto, o déficit de armazenagem força que grande parte dessa produção seja transportada imediatamente após a colheita. Essa necessidade sobrecarrega as rodovias, eleva os custos com frete e limita a capacidade do produtor rural de negociar seus grãos no momento mais oportuno.
A análise da matriz de transportes revela que o modal rodoviário continua predominante no escoamento de grãos no Brasil. Em 2023, as estradas foram responsáveis por 69% da movimentação da soja brasileira, contra 22% das ferrovias e 9% das hidrovias. As projeções para 2025 indicam uma pequena mudança nesse cenário, com a participação das ferrovias aumentando para 25%, enquanto as hidrovias manteriam seus 9%. Assim, o transporte rodoviário seguirá sendo o responsável por cerca de dois terços da movimentação da safra.
Essa concentração no transporte rodoviário mantém os custos logísticos elevados e exerce grande pressão sobre a frota de caminhões durante o período de colheita. Thiago Cardoso, diretor de Agronegócio da nstech, destaca que a predominância rodoviária expõe ineficiências, resultando em um excedente estimado de 70 mil caminhões em rotas de longa distância. Ele enfatiza que a agenda ESG e a digitalização deixaram de ser diferenciais e se tornaram pré-requisitos comerciais para o setor.
Especialistas concordam que a expansão da rede de armazenagem é fundamental para aumentar a eficiência da logística agrícola brasileira. Com mais capacidade de estocagem nas propriedades, os produtores poderão distribuir o transporte ao longo do ano, diminuir as filas em armazéns e portos e ter mais flexibilidade para comercializar sua produção em momentos de preços mais favoráveis, impactando positivamente a sua dignidade e sustentabilidade econômica.
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