ACORDO BILATERAL

Brasil e EUA unem forças em grupo de trabalho para impulsionar comércio e segurança

Presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump em reunião na Casa Branca, sinalizando nova fase nas relações bilaterais entre Brasil e Estados Unidos.
Presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump em encontro na Casa Branca.

Presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump estabelecem nova parceria estratégica com prazo de 30 dias para proposta tarifária.

Os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump determinaram, nesta quinta-feira, 7 de maio de 2026, a criação de um grupo de trabalho bilateral. Essa iniciativa ambiciosa visa impulsionar acordos comerciais, revisar as tarifas aplicadas a produtos brasileiros e fortalecer a cooperação em segurança pública, combate ao crime organizado e investimentos em minerais críticos. A decisão sinaliza um esforço para reaquecer e consolidar a relação econômica e diplomática entre Brasil e Estados Unidos, prometendo impactar diretamente a prosperidade e a segurança de ambos os povos.

Os dois governos estabeleceram um prazo de até 30 dias para apresentar uma proposta concreta relacionada às tarifas comerciais. O encontro, que reuniu ministros de ambos os países na Casa Branca, excedeu em mais de uma hora a previsão inicial, estendendo-se por cerca de três horas. A delegação brasileira descreveu o clima das conversas como cordial e amistoso, indicando um terreno fértil para avanços.

O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, reiterou a defesa do governo brasileiro pelo fim da “Seção 301”, uma investigação comercial conduzida pelos Estados Unidos que sustenta parte das tarifas impostas sobre produtos brasileiros desde 2025. Vieira defendeu que não existe fundamentação técnica para a manutenção dessas medidas. “Estabeleceu-se uma discussão em torno das tarifas, do não cabimento das tarifas em relação aos produtos brasileiros”, declarou o ministro, destacando a importância de eliminar barreiras que prejudicam o fluxo comercial.

O Brasil também buscou reforçar a retomada da relação comercial bilateral após um período de retração. Dados recentes revelam um declínio nas exportações brasileiras para os Estados Unidos desde a adoção das sobretaxas impostas por Washington no ano passado, evidenciando a urgência de uma reavaliação.

Na esfera econômica, o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Márcio Rosa, afirmou que o encontro abordou investimentos bilaterais e mecanismos para ampliar o comércio entre os dois países. O secretário-executivo da Fazenda, Dario Durigan, complementou que o Brasil apresentou indicadores de crescimento e estabilidade econômica aos americanos, além de sublinhar o déficit comercial existente entre as duas nações.

A segurança pública emergiu como um dos eixos centrais da reunião. O ministro da Justiça, Wellington César Lima e Silva, classificou o encontro como “extraordinário” e informou que o presidente Lula sugeriu a formação de grupos de trabalho permanentes dedicados ao combate ao crime organizado e à cooperação policial. Segundo Durigan, as ações conjuntas priorizarão a fiscalização aduaneira, o combate à lavagem de dinheiro e a troca antecipada de informações sobre cargas internacionais, visando maior eficácia e impacto na criminalidade transfronteiriça.

O governo brasileiro divulgou que operações conjuntas realizadas entre maio de 2025 e abril de 2026 resultaram na apreensão de mais de meia tonelada de armas irregulares oriundas dos Estados Unidos e de mais de uma tonelada de drogas sintéticas. Lula afirmou que o combate às organizações criminosas requer coordenação regional e defendeu a instauração de um grupo de trabalho com a participação de nações da América Latina e da América do Sul para fortalecer a frente de atuação.

Outro tema crucial discutido foi a exploração de minerais críticos e terras raras. O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, afirmou que o Brasil apresentou aos americanos o novo marco regulatório do setor, aprovado para ampliar investimentos internacionais. O governo brasileiro defende que as etapas de separação e refino dos minerais sejam realizadas em território nacional. “É mais barato investir e refinar os materiais no Brasil, gerando renda, emprego e divisas para o país”, enfatizou Silveira, ressaltando o potencial de desenvolvimento econômico.

Lula considerou os minerais críticos um tema intrinsecamente ligado à soberania nacional e afirmou que o Brasil manifesta-se aberto a investimentos estrangeiros, desvinculado de alinhamentos geopolíticos preferenciais. O presidente também declarou que o país está disposto a discutir qualquer tema internacional, incluindo Cuba, Venezuela e Irã, e advogou novamente por soluções diplomáticas para os conflitos globais.

Ao comentar o encontro, Lula afirmou que a reunião simboliza “um passo importante na consolidação da relação democrática histórica” entre os dois países. O presidente reforçou, ainda, a defesa do multilateralismo, criticou interferências externas em processos eleitorais e afirmou que democracia e soberania são temas “inegociáveis” para o Brasil, reafirmando os pilares da política externa nacional.

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