ALERTA DE DESPERDÍCIO
Brasil desperdiça quase metade da água tratada antes de chegar às casas, aponta estudo
Instituto Trata Brasil e GO Associados revelam que 16 estados registram perdas acima da média nacional de 39,53%. Metas do Marco Legal de Saneamento em risco.
Uma análise divulgada pelo Instituto Trata Brasil, em parceria com a consultoria GO Associados, revelou que o Brasil desperdiça quase 40% da água tratada antes que ela chegue às residências. Nesta segunda-feira, 15/06/2026, a notícia ganha destaque ao expor um problema crítico para o acesso à água potável e a sustentabilidade dos recursos hídricos no país.
De acordo com o estudo, 16 estados brasileiros registram perdas superiores à média nacional de 39,53%. As situações mais alarmantes são em Alagoas (66,90%), Roraima (65,97%), Pará (57,33%), Maranhão (56,68%), Acre (56,48%) e Sergipe (55,10%), onde os índices de desperdício na distribuição ultrapassam 55% do volume total.
Esses altos índices de perdas ocorrem durante o processo de abastecimento e podem ser atribuídos a diversos fatores, como vazamentos em tubulações, erros de medição e ligações clandestinas. O impacto dessas perdas vai além do ambiente, afetando diretamente a receita e os custos operacionais das companhias de saneamento, o que, consequentemente, encarece o serviço para os consumidores.

O levantamento utilizou dados públicos do Sistema Nacional de Informações em Saneamento Básico (Sinisa) referentes a 2024. A pesquisa abrangeu as cinco regiões do país, os estados e o Distrito Federal, além de 100 dos municípios mais populosos, incluindo suas capitais, que figuraram no Ranking do Saneamento de 2026.
Em termos de volume, o desperdício anual de 2,8 bilhões de m³ de água tratada no Brasil seria suficiente para abastecer a população do Canadá, que conta com 41,4 milhões de habitantes.
O Brasil estabeleceu a meta de reduzir essas perdas para 25% até 2033, prazo final determinado pelo Novo Marco Legal do setor. Sancionado em 2023, o marco, que visa garantir que 99% da população tenha acesso à água potável e 90% à coleta e tratamento de esgoto até 31 de dezembro de 2033, já viu passar mais da metade do tempo, levantando dúvidas sobre a capacidade de cumprimento de suas ambiciosas metas.
Um levantamento da Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental (Abes) indicou que, até o momento, apenas 94 municípios estão efetivamente caminhando em direção à universalização dos serviços de água e esgoto. Curitiba (PR) destaca-se como a única capital com pontuação suficiente para a categoria 'rumo à universalização'. Em cidades de grande porte, Leme (SP), Balneário Camboriú (SC) e Santa Bárbara D'Oeste (SP) apresentam os melhores desempenhos. Em contraste, capitais da região Norte, como Belém (PA), Macapá (AP), Manaus (AM) e Porto Velho (RO), registraram desempenhos insatisfatórios logo após a estipulação do marco legal.
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