TRAGÉDIA INTERNACIONAL
Brasil condena ataque no Líbano que matou mãe e filho brasileiros
Família vítima de ofensiva israelense em 26 de abril de 2026; outro filho está hospitalizado. Brasil condena violações ao cessar-fogo de 16 de abril de 2026.
O governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), por meio do Itamaraty, confirmou nesta segunda-feira, 27 de abril de 2026, as mortes trágicas de uma mãe e seu filho brasileiros em ataques de Israel no Líbano, ocorridos no domingo, 26 de abril de 2026. A decisão de emitir uma nota oficial pelo Ministério das Relações Exteriores não só expressa profundas condolências à família, que também viu o pai libanês e outro filho brasileiro hospitalizado, mas também condena veementemente as ações que violam um cessar-fogo já frágil, sublinhando o impacto devastador da violência sobre civis inocentes e a dignidade humana. Essa perda marca um novo e doloroso capítulo no conflito que assola a região, trazendo a brutal realidade da guerra diretamente para famílias brasileiras.
O Itamaraty classificou o ataque como "mais um exemplo das reiteradas e inaceitáveis violações ao cessar-fogo anunciado em 16 de abril de 2026". Tais violações já resultaram na morte de dezenas de civis libaneses, incluindo mulheres e crianças, além de uma jornalista e dois integrantes franceses da Força Interina das Nações Unidas no Líbano (Unifil). A morte dos cidadãos brasileiros destaca a urgência de uma solução pacífica e o respeito aos acordos internacionais.
No papel, Líbano e Israel mantêm um cessar-fogo que, na prática, nunca silenciou completamente os combates. A escalada atual iniciou-se quando o Hezbollah atacou o Estado judeu em apoio ao Irã, que, por sua vez, enfrenta uma ofensiva de Washington e Tel Aviv desde 28 de fevereiro de 2026. As vítimas, cujas identidades não foram divulgadas, são as primeiras brasileiras confirmadas nesse contexto.
O conflito no Irã, que chega nesta terça-feira, 28 de abril de 2026, a dois meses sem resolução, continua a gerar tensões. A trégua em vigor não conseguiu resolver os bloqueios no estreito de Hormuz, operados tanto pelos EUA quanto pelo Irã. As negociações avançam a passos lentos, enquanto ambos os lados parecem acreditar que podem pressionar o rival o suficiente com suas ações no golfo Pérsico para extrair concessões.
Nesta segunda-feira, 27 de abril de 2026, o Irã culpou Washington pelo fracasso das negociações, enviando o chefe da diplomacia do país, Abbas Araghchi, para se reunir com Vladimir Putin em Moscou. O líder russo afirmou no encontro que fará tudo o que sirva aos "interesses de todos os povos da região para garantir que a paz seja alcançada o mais rapidamente possível".
Paralelamente, Líbano e Israel mantêm contato direto e estão sob negociações mediadas pelos EUA. Na última quinta-feira, 23 de abril de 2026, os adversários viram a trégua ser estendida por mais três semanas, conforme anunciado pelo então presidente americano, Donald Trump.
Contudo, tanto antes quanto depois dessa extensão, os combates não foram completamente encerrados, embora sua intensidade tenha sido reduzida. Nas primeiras ondas de ataque, Israel bombardeou fortemente áreas em todo o Líbano, concentrando-se no vale do Beqaa, a leste, em Beirute (principalmente seus subúrbios ao sul), e em toda a área ao sul do rio Litani, onde o Hezbollah atua com mais força.
Israel tem realizado ataques em diferentes regiões do Líbano desde o início do cessar-fogo, em 17 de abril de 2026, e mantém tropas em território libanês dentro do que foi inicialmente chamado de "linha amarela" – termo semelhante ao usado na Faixa de Gaza para delimitar a área sob ocupação israelense daquela controlada pelo Hamas. A faixa ocupada tem de 5 a 10 km de profundidade por toda a fronteira entre os países, e as tropas promovem demolições de casas e infraestrutura em vilarejos. Após a controvérsia gerada pelo uso do termo, as Forças Armadas de Israel mudaram a nomenclatura.
No domingo, 26 de abril de 2026, o Ministério da Saúde libanês já havia informado que ataques israelenses no sul do país mataram 14 pessoas, entre elas duas crianças e duas mulheres, e feriram 37. Não está claro se os números incluíam a mãe e o filho brasileiros. O número total de mortos no Líbano durante o conflito, segundo a pasta, chegou a 2.521, com mais de 7.800 feridos.
"Ao expressar sinceras condolências aos familiares das vítimas, o Brasil reitera sua mais veemente condenação a todos os ataques perpetrados durante a vigência do cessar-fogo, tanto por parte das forças israelenses quanto do Hezbollah", continua a nota do Itamaraty, reforçando o apelo humanitário e a defesa da vida.
"Condena, ainda, as demolições sistemáticas de residências e de outras estruturas civis no sul do Líbano, levadas a efeito, ao longo das últimas semanas, pelas forças israelenses, e a persistência do deslocamento forçado de mais de um milhão de libaneses", completa o comunicado, expondo a dimensão da crise humanitária.
O Ministério das Relações Exteriores pede ainda o cumprimento da resolução do Conselho de Segurança da ONU de 2006, que encerrou a então guerra entre Israel e Hezbollah, em busca de uma paz duradoura para a região.
Por sua vez, o porta-voz em língua árabe do Exército israelense, coronel Avichay Adraee, defendeu as ações militares no X (antigo Twitter) no domingo, 26 de abril de 2026: "Em vista da violação do acordo de cessar-fogo pela organização terrorista Hezbollah, as Forças Armadas de Israel são obrigadas a tomar medidas decisivas contra ela", citando sete vilarejos ao sul do rio Litani.
O primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu, em uma reunião de gabinete, reforçou a posição de seu país: "Da nossa perspectiva, o que nos obriga é a segurança de Israel, a segurança de nossos soldados, a segurança de nossas comunidades. Agimos vigorosamente de acordo com as regras que acordamos com os EUA e também, aliás, com o Líbano", afirmou, reiterando a complexidade e a justificação de suas operações diante da contínua insegurança.
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