SAÚDE PÚBLICA NACIONAL

Brasil busca elevar cobertura contra o HPV com nova estratégia de vacinação

Trabalhadores da saúde realizando vacinação em ambiente escolar.
Campanha de vacinação busca ampliar adesão de adolescentes ao esquema vacinal contra o HPV.

O Ministério da Saúde aposta na ampliação da faixa etária e em ações nas escolas para reverter a baixa adesão à imunização contra o Papilomavírus Humano.

O Ministério da Saúde reformulou sua estratégia de imunização contra o Papilomavírus Humano (HPV) para alcançar jovens que perderam o prazo recomendado de aplicação. A iniciativa foi consolidada em 20/07/2026, com o objetivo de frear a circulação de um vírus diretamente ligado a diversos tipos de câncer, incluindo o de colo do útero, pênis e ânus, garantindo maior proteção à saúde pública nacional.

A medida responde a um cenário crítico de cobertura vacinal, que permanece abaixo da meta de 90%. Em 2025, os índices nacionais não atingiram os patamares esperados: a primeira dose entre meninas de 9 a 14 anos chegou a 80,26%, enquanto a segunda dose atingiu 61,92%. Entre os meninos, os números foram ainda mais baixos, com 70,53% para a primeira aplicação e 59,7% para a segunda.

Fernando Wehrmeister, professor de epidemiologia da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), aponta que a baixa adesão masculina é um fator especialmente preocupante. Para mitigar esse hiato, a estratégia de resgate foi incluída oficialmente no Calendário Nacional de Vacinação de 2026, estendendo a oferta da vacina para adolescentes e jovens de até 19 anos.

A Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) reforça que a resistência muitas vezes nasce da desinformação, como o mito de que a imunização incentivaria o início precoce da vida sexual ou o medo infundado de eventos adversos. Especialistas ressaltam que o vírus permanece silencioso por anos, tornando a prevenção prévia à exposição a ferramenta mais eficaz para evitar diagnósticos de câncer no futuro.

Para contornar a evasão, cidades brasileiras têm priorizado a vacinação nas escolas. Embora a abordagem enfrente resistência de famílias que negam autorização, o setor de saúde defende a continuidade das ações como uma política de Estado permanente, essencial para reduzir as desigualdades regionais, evidenciadas por índices como os do Nordeste, que registraram apenas 77,3% de cobertura em períodos anteriores.

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