VIOLÊNCIA SEM FIM

Brasil atinge recorde de feminicídios no 1º trimestre de 2026

Mulheres protestam contra a violência de gênero na Avenida Paulista, em São Paulo.
Protesto contra feminicídios reúne mulheres na Avenida Paulista — Foto: Tuane Fernandes/Reuters

Ministério da Justiça e Segurança Pública revela 399 vítimas. Uma mulher morta a cada 5h25min.

O Brasil testemunhou uma escalada alarmante da violência contra mulheres no primeiro trimestre de 2026. Dados divulgados pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública nesta terça-feira, 05/05/2026, revelam que 399 feminicídios foram registrados entre janeiro e março, configurando o período mais letal em uma década e expondo a urgência de ações eficazes para proteger a vida feminina.

Cada um desses números representa uma vida interrompida, uma família destroçada, e a falha contínua da sociedade em garantir a segurança e a dignidade das mulheres. Desde o início do monitoramento em 2015, este ano se destaca como o mais crítico para as mulheres, com um volume de casos que superou recordes anteriores.

A comparação com o mesmo período de 2025 mostra um aumento de 7,55% nos casos. Em uma década, o número de vítimas no início do ano saltou de 125 em 2015 para as atuais 399, superando os picos registrados em 2022 (372 vítimas) e 2024 (384 vítimas). No ano passado, 2025, o total anual de feminicídios já havia batido recorde, com 1.470 casos, superando os 1.464 de 2024.

Os dados são meticulosamente compilados pelo Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp), que se baseia em informações fornecidas pelos estados, pelo Distrito Federal, Polícia Federal e Polícia Rodoviária Federal. Essa rede de coleta garante a abrangência e a seriedade do levantamento.

Em análise detalhada do trimestre, janeiro de 2026 se mostrou o mês mais violento para as mulheres no Brasil, contabilizando 142 vítimas de feminicídio. Fevereiro registrou 123 casos, com um novo aumento em março, que fechou com 134 ocorrências.

Geograficamente, o estado de São Paulo concentra o maior número absoluto de feminicídios no país nos primeiros três meses de 2026, com um total de 86 vítimas. Seguem-no Minas Gerais, com 42 ocorrências, Paraná (33), Bahia (25) e Rio Grande do Sul (24). É um mapa da violência que se espalha por grandes centros populacionais.

Apenas o Acre e Roraima se destacaram positivamente por não registrarem feminicídios no período. Contudo, os dados também revelam variações percentuais significativas entre os estados. Embora com um número menor de vítimas absolutas, o Amapá teve o maior crescimento proporcional, com 7 casos em 2026, contra 2 em 2025 – um aumento assustador de 250%.

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