COTA ATINGIDA
Brasil atinge cota de exportação de carne para China; exportações sem tarifa param até nova definição
Frigoríficos brasileiros cumpriram integralmente o limite de exportação de carne bovina para a China neste fim de semana. Com a cota esgotada, vendas futuras para o país asiático estarão sujeitas a uma taxa adicional de 55%, impactando a competitividade e podendo redirecionar o fluxo de produção para outros mercados.
Nesta sábado, 04/07/2026, frigoríficos brasileiros alcançaram a meta integral de exportação de carne bovina para a China. Atingir este limite significa que as vendas sem tarifa adicional para o país asiático cessarão, a menos que o governo chinês opte por impor uma taxa de compra sobre o volume excedente. Esta situação impacta diretamente a dinâmica comercial entre os dois países e a estratégia das empresas brasileiras.
Segundo a consultoria Safras & Mercado, que baseou seus cálculos na evolução dos embarques conforme dados oficiais da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), o Brasil enviou 100,06% da cota estabelecida para o período de janeiro até 30 de junho. Esse volume corresponde a 1,106 milhão de toneladas, que podiam ser comercializadas sem a incidência de tarifas adicionais.
O mercado já antecipava o esgotamento precoce da cota, visto que o ritmo de embarques superou as expectativas. A velocidade das vendas, especialmente em abril e maio, gerou alerta no setor, pois o volume total disponibilizado pela China se mostrou inferior à demanda recente.
Com o esgotamento da cota, qualquer nova exportação de carne brasileira para a China a partir de agora estará sujeita a uma sobretaxa de 55%. Essa imposição tende a diminuir a competitividade da carne brasileira no mercado chinês, podendo forçar frigoríficos a buscar ativamente outros destinos para parte de sua produção, a fim de manter o fluxo comercial e a rentabilidade.
Fernando Iglesias, analista da Safras & Mercado, ressaltou que o desempenho das exportações de carne bovina foi notavelmente satisfatório, impulsionado principalmente pela China. Somente em junho, o volume embarcado atingiu 158,36 mil toneladas, evidenciando um ritmo acelerado que contribuiu decisivamente para o preenchimento da cota.
Os números de junho representam 14,32% da cota total definida pela China para o ano, reforçando o esgotamento oficial, uma vez que os embarques realizados no último bimestre de 2025 também são considerados neste cálculo.
O analista também destacou a lentidão da China em emitir alertas sobre o preenchimento da cota. Até o momento, apenas o gatilho de 50% foi acionado, quando as vendas aceleradas em abril e maio sugeriam que o alerta para 80% de preenchimento, emitido pelo MOFCOM, já deveria ter sido ativado. Essa demora pode estar relacionada a gargalos internos na internalização do produto pelas autoridades chinesas.
A partir deste ponto, o mercado volta suas atenções para os embarques de julho, que serão cruciais para definir a dinâmica futura das exportações de carne bovina do Brasil para outros parceiros comerciais além da China.
Entre os destinos que mantêm demanda ativa, incluem-se os Estados Unidos, Hong Kong, Uruguai e Argentina. Notavelmente, Uruguai e Argentina podem estar atuando como porta de entrada para o mercado chinês por meio de triangulação, uma estratégia para contornar as cotas, conforme sinalizado pela Safras & Mercado.
Paralelamente, a demanda do mercado americano continua a crescer, e outros países também se aproximam do esgotamento de suas próprias cotas. Um exemplo é a Austrália, que já teve sua cota de carne bovina para a China igualmente esgotada, refletindo um cenário global de alta demanda e restrições de volume.
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