DISPARIDADE FINANCEIRA NO BRASIL

Brancos detêm 3 vezes mais riqueza que pretos em mesmas profissões, revela Receita Federal

Carteira de trabalho
Para 22% dos brasileiros, o maior obstáculo para alcançar aspirações profissionais é a falta de oferta de vagas de emprego com boas condições

Dados de 2025 da Receita Federal mostram que brancos acumulam patrimônio 1,8 vez maior que pardos e 5,4 vezes maior que indígenas nas mesmas ocupações.

A disparidade de riqueza no Brasil é gritante, mesmo entre profissionais que atuam nas mesmas áreas. Dados recentes da Receita Federal, referentes a 2025, revelam que pessoas brancas acumulam, em média, três vezes mais patrimônio do que pessoas pretas em profissões idênticas. Essa constatação, baseada nas declarações de Imposto de Renda de Pessoa Física entregues em 2026, expõe uma profunda desigualdade estrutural que afeta diretamente a dignidade e as oportunidades de grupos minorizados.

A análise abrangeu as 10 profissões com maior patrimônio médio, onde o contraste se torna ainda mais evidente. Enquanto profissionais brancos detêm um patrimônio médio de R$ 23,6 milhões, pessoas pardas acumulam R$ 13,2 milhões, pessoas pretas R$ 7,9 milhões e indígenas apenas R$ 4,4 milhões. Isso significa que pessoas pardas têm um patrimônio 1,8 vez menor e indígenas 5,4 vezes menor em comparação com brancos, nas mesmas carreiras.

As profissões analisadas incluem titulares de cartório, membros do Poder Judiciário e Ministério Público, diplomatas, dirigentes de empresas, atletas, produtores agropecuários, funcionários de carreira do BC (Banco Central), CVM (Comissão de Valores Mobiliários) e Susep (Superintendência de Seguros Privados), médicos e atores ou diretores. Essas posições, que teoricamente deveriam oferecer oportunidades equânimes, refletem a profunda divisão racial na acumulação de capital no país.

Carteira de trabalho
Para 22% dos brasileiros, o maior obstáculo para alcançar aspirações profissionais é a falta de oferta de vagas de emprego com boas condições

Esses números não são apenas estatísticas; eles representam vidas impactadas, oportunidades negadas e um ciclo de desigualdade que perpetua a exclusão. A diferença abissal na riqueza acumulada pode significar acesso diferenciado à educação de qualidade, saúde, moradia digna e investimentos, limitando o desenvolvimento pessoal e profissional de indivíduos não brancos.

A Receita Federal lançou em julho uma nova ferramenta que utiliza as declarações de Imposto de Renda para analisar o patrimônio médio por profissão. A plataforma permite cruzar dados por gênero, estado, município e etnia, oferecendo um panorama mais detalhado da desigualdade no país. A iniciativa, embora essencial para diagnóstico, sublinha a urgência de políticas públicas eficazes para promover a equidade racial e econômica.

Gráfico comparando patrimônio médio por etnia
Patrimônio médio de profissionais por etnia nas mesmas profissões.

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