FINANÇAS PESSOAIS
Bradesco alerta: comprometimento da renda impulsiona inadimplência
Marcelo Noronha, CEO do Bradesco, revela visão do banco sobre o cenário econômico atual e a gestão de dívidas. Entenda os programas e as estratégias de crédito.
Marcelo Noronha, presidente do Bradesco, revelou nesta quinta-feira, 07/05/2026, que o grande desafio por trás da inadimplência no Brasil não reside apenas no endividamento, mas sim no comprometimento da renda dos cidadãos. A análise do CEO do Bradesco aponta para a importância de diferenciar os tipos de dívida, impactando diretamente a forma como milhões de famílias gerenciam suas finanças e o futuro das estratégias de crédito do banco.
Noronha explicou que entender a natureza das dívidas é crucial. Ele distinguia entre compromissos de longo prazo, como financiamento imobiliário e crédito consignado, e outras modalidades que carregam um risco de inadimplência significativamente maior. Esta distinção é vital para a saúde financeira dos lares brasileiros e para a sustentabilidade do mercado de crédito.
"Nós focamos intensamente no nível de endividamento, mas nossa prioridade maior é avaliar o comprometimento da renda", pontuou o executivo.
Ele sublinhou que uma família, por exemplo, pode possuir um montante de dívida considerável, mas se ela estiver diluída em prazos estendidos e com taxas de juros mais acessíveis, o risco de não conseguir honrar os pagamentos diminui. É a capacidade real de pagar mensalmente que define a tranquilidade ou o tormento financeiro.
Apetite a risco mais seletivo
O Bradesco, segundo Noronha, tem ajustado seus modelos e políticas de concessão de crédito nos últimos dois anos. Essa revisão profunda envolve o emprego massivo de tecnologia e a capacitação constante de suas equipes, visando maior assertividade e segurança para clientes e para a própria instituição.
O foco em parcerias estratégicas rendeu frutos: a carteira de micro, pequenas e médias empresas, beneficiada pelos programas FGI e FGO (linhas com garantia do governo federal), experimentou um salto de 80,9% em um ano. O crédito consignado, por sua vez, registrou um crescimento notável, passando de 5% para 8,3% no mesmo intervalo, oferecendo um respiro financeiro para muitos.
No segmento de cartões de crédito, a expansão atingiu 10,9%, direcionada prioritariamente a consumidores com perfil de crédito mais sólido, minimizando riscos e promovendo o uso consciente.
"O crédito pessoal sem garantia segue uma linha bastante seletiva, destinado principalmente a clientes preferenciais", explicou Noronha, detalhando que, por exemplo, um indivíduo de alta renda pode recorrer a essa modalidade para uma necessidade pontual, beneficiando-se de taxas de juros consideravelmente menores.
Sobre o cheque especial, Noronha avaliou que sua importância diminuiu ao longo do tempo. O cartão de crédito, em contrapartida, consolidou-se como a principal ferramenta para financiar o consumo de curto prazo na economia brasileira, refletindo novas dinâmicas de consumo e endividamento.
Desenrola 2.0 e renegociação de dívidas
Uma luz de esperança para muitos, o programa Desenrola 2.0 já havia acolhido cerca de 18 mil pessoas até a véspera da entrevista. Essa iniciativa oferece um caminho para a recuperação financeira, permitindo que cidadãos restabeleçam sua dignidade de crédito.
O Desenrola 2.0 foi desenhado para auxiliar clientes com dívidas atrasadas entre 90 dias e dois anos, provendo taxas de juros reduzidas de 1,99% ao mês e descontos que podem ir de 30% a impressionantes 90%, adaptando-se à modalidade da dívida. Condições que buscam aliviar o peso financeiro sobre os ombros de milhares.
Pensando nos que não se encaixam nas diretrizes do Desenrola 2.0, o Bradesco desenvolveu uma iniciativa paralela. Ela visa atender clientes com renda acima de cinco salários mínimos ou com dívidas superiores a R$ 15 mil, garantindo que o suporte à renegociação de dívidas seja o mais abrangente possível.
"Acredito que este programa tem um potencial ainda maior de sucesso que a versão anterior, pois utiliza diretamente os canais do banco, que possuem uma capacidade robusta de comunicação com esses potenciais beneficiários", avaliou Noronha, reforçando a estratégia de alcance do Bradesco.
Juros altos preocupam a economia
Ao ser indagado sobre as consequências de uma política monetária mais rígida, Noronha expressou preocupação com o panorama de juros altos. Este cenário é particularmente desafiador para empresas com maior alavancagem e com suas margens Ebitda (Lucros antes de Juros, Impostos, Depreciação e Amortização) já apertadas, impactando o crescimento e a capacidade de investimento do setor produtivo.
"O cenário ideal para a economia brasileira seria a observação de uma redução nessas taxas, com a inflação mantida sob controle de forma natural", declarou, indicando a busca por um equilíbrio macroeconômico.
Apesar das preocupações, o executivo demonstrou otimismo em relação aos resultados do Bradesco. Ele destacou investimentos contínuos em tecnologia, o crescente engajamento das equipes e a bem-sucedida expansão do segmento Principal, que finalizou o primeiro trimestre com mais de 500 mil clientes em fase de upgrade, demonstrando a confiança do banco em seu futuro.
A meta ambiciosa do Bradesco é atingir mais de 800 mil clientes neste segmento até o final de 2026, impulsionada pela inauguração de novos escritórios nas principais capitais brasileiras, consolidando sua presença e fortalecendo o relacionamento com o público.
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