PROTEÇÃO DO SISTEMA
BC avalia restringir uso do Pix por instituições com falhas de segurança
Proposta prevê limites operacionais e até suspensão para participantes com vulnerabilidades cibernéticas após série de ataques a intermediárias.
O Banco Central (BC) estuda implementar restrições severas ao uso do Pix por bancos e fintechs que apresentarem fragilidades em seus sistemas de segurança cibernética. A decisão, que visa mitigar riscos sistêmicos, foi debatida e ganhou força neste domingo, 12/07/2026, diante da necessidade de blindar a economia nacional contra a escalada de crimes digitais.
A medida responde a uma sequência de incidentes que expuseram vulnerabilidades em elos periféricos da cadeia de pagamentos. O objetivo central é elevar o nível mínimo de proteção digital de todos os participantes do Sistema de Pagamentos Instantâneos (SPI), garantindo que a confiança do cidadão no meio de pagamento mais utilizado do Brasil seja preservada.
Entre as propostas em análise, o regulador estuda impor limites específicos para valores e horários de transações em instituições de risco, além de vedar o registro de novas chaves por entidades que não comprovem governança tecnológica adequada. Em cenários críticos, a suspensão do acesso ao sistema não está descartada. Atualmente, a matéria encontra-se em fase de discussão com o mercado, não sendo uma decisão definitiva.
O impacto dos ataques na infraestrutura financeira
Historicamente, a estratégia dos criminosos tem sido explorar pontos menos protegidos, como prestadoras de serviços de tecnologia que conectam instituições financeiras ao sistema do Banco Central. Episódios emblemáticos, como o ataque à C&M Software que resultou no desvio de R$ 800 milhões, evidenciaram que a robustez do Pix depende da solidez de todos os seus pilares.
O diretor de Administração do BC, Rodrigo Teixeira, reforçou em evento recente que a segurança cibernética é essencial para a saúde do Sistema Financeiro Nacional (SFN). “Infraestruturas como o Pix e o Sistema de Transferência de Reservas (STR) tornaram-se elementos críticos da vida econômica, mas também ampliaram nossa exposição a riscos”, afirmou.
Para o especialista Tiago Severo, sócio do Panucci, Severo e Nebias Advogados, o movimento marca uma nova fase do Pix. Para o cidadão, a mudança representa uma camada extra de proteção; para as instituições, contudo, o investimento em auditoria e tecnologia tornou-se uma questão de sobrevivência regulatória.
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