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Banco Master redigiu PEC para Ciro Nogueira que muda Banco Central e FGC

Senador Ciro Nogueira e Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, em imagem relacionada à PEC de autonomia do Banco Central e alterações no FGC.
Ciro Nogueira e Daniel Vorcaro - Metrópoles

Documentos da PF mostram influência em proposta que aumenta proteção a correntistas de R$ 250 mil para R$ 1 milhão.

Detalhes controversos sobre a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que busca ampliar a autonomia financeira do Banco Central e alterar as regras do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) vieram à tona nesta quinta-feira, 07 de maio de 2026. Material apreendido pela Polícia Federal em uma operação de 7 de junho de 2026 revela que o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, teve participação direta na elaboração do texto, posteriormente apresentado pelo senador Ciro Nogueira (PP-PI). Essa articulação levanta sérias questões sobre a influência privada em legislações de impacto nacional, especialmente ao propor que o BC se torne uma empresa pública com orçamento próprio e que o limite de garantia do FGC a correntistas e investidores seja elevado de R$ 250 mil para R$ 1 milhão, mexendo diretamente com a segurança e a confiança de milhões de brasileiros no sistema financeiro.

A PEC nº 65/2023, proposta por Ciro Nogueira, ambiciona conceder ainda mais independência ao Banco Central (BC). O texto sugere transformar a instituição em uma empresa pública de natureza especial, garantindo-lhe autonomia administrativa, financeira e orçamentária, somando-se à independência operacional já estabelecida por lei desde 2021. Na prática, esta medida significa que o BC teria seu próprio orçamento, utilizando suas receitas para custear suas despesas internas, sem depender das verbas repassadas pelo governo federal, como ocorre atualmente.

Uma emenda à PEC, apelidada de Emenda Master, idealizada pela assessoria do Banco Master, propõe alterações significativas no funcionamento do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Este fundo, vital para a proteção de correntistas e investidores em situações de falência de instituições financeiras, passaria a desempenhar uma "função pública" e seria regulado pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). O ponto mais impactante da proposta prevê elevar o teto de garantia por CPF ou CNPJ de R$ 250 mil para R$ 1 milhão. A justificativa dos autores da emenda ao Senado era reforçar a segurança e a solidez do sistema financeiro nacional, argumentando que fundos exclusivamente privados poderiam ser insuficientes em cenários de crise.

Conforme os autos da investigação, o texto da Emenda Master teve sua gênese na assessoria do Banco Master. Ele foi encaminhado a Daniel Vorcaro pelo ex-diretor André Kruschewsky e, posteriormente, impresso e entregue em um envelope destinado ao senador Ciro Nogueira, em seu endereço residencial no Senado.

Em nota oficial, a defesa do senador Ciro Nogueira expressou repúdio a qualquer insinuação de ilicitude em suas ações, especialmente no que tange à sua atuação parlamentar. Os advogados reafirmaram o comprometimento do senador em cooperar com a Justiça para demonstrar sua ausência de participação em atividades ilícitas e nos fatos sob investigação, colocando-se à disposição para prestar todos os esclarecimentos necessários. Além disso, ponderaram que "medidas investigativas graves e invasivas tomadas com base em mera troca de mensagens, sobretudo por terceiros, podem se mostrar precipitadas e merecem a devida reflexão e controle severo de legalidade", tema que, segundo eles, será "enfrentado tecnicamente pelas Cortes Superiores muito em breve", assim como ocorreu com o uso de delações premiadas.

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