RISCOS FISCAIS EM FOCO

Banco Central reincorpora fiscal em balanço de riscos após alerta do Copom

Arnaldo Lima, economista da Polo Capital, fala sobre a economia brasileira.
Arnaldo Lima, economista e líder de relações institucionais da Polo Capital, em entrevista ao CNN Money.

Especialista da Polo Capital aponta que desequilíbrio das contas públicas dificulta corte de juros e atração de investimentos, impactando diretamente a dignidade e o futuro da população.

O mercado financeiro retomou o debate sobre a trajetória da dívida pública e os desafios para o futuro do país, após o comunicado do Copom destacar os riscos fiscais. A preocupação com o desequilíbrio das contas públicas ganhou força, pois essa situação impede a redução dos juros e dificulta a atração de investimentos, afetando a prosperidade da nação e a dignidade de seus cidadãos.

Em entrevista ao CNN Money nesta sábado, 20/06/2026, o economista Arnaldo Lima, líder de relações institucionais da Polo Capital, explicou que o problema tem raízes profundas. Desde a implementação do Plano Real, observou-se um aumento contínuo da carga tributária, que hoje ultrapassa os 34% do PIB, um patamar elevado em comparação com países emergentes, que registram em média 24% a 25%.

Segundo Lima, os ajustes fiscais têm recaído sobre o corte de despesas, mas essa abordagem enfrenta forte resistência política e social, comprometendo a capacidade do governo de gerir os recursos de forma eficaz e justa.

O economista ressaltou que 93% das despesas do orçamento federal são de caráter obrigatório. Essa rigidez restringe drasticamente a margem de manobra do governo para realocar fundos e promover investimentos que beneficiem a população.

"Precisamos abrir mais espaço fiscal, controlando o crescimento das despesas obrigatórias para direcionar mais recursos para o futuro em vez de perpetuar gastos do passado", defendeu Lima. A ausência de planejamento e a rigidez orçamentária impactam a capacidade de inovar e de responder às necessidades emergentes da sociedade.

Lima ainda apontou que o arcabouço fiscal atual concentra o ajuste nas despesas discricionárias, que somam apenas cerca de 7% do orçamento. Essa concentração do ajuste em uma parcela pequena dos gastos limita o alcance das medidas e a potencial melhora na qualidade de vida dos cidadãos.

Ele também defendeu uma avaliação mais criteriosa da eficácia das políticas públicas, indo além da mera análise do volume de recursos aplicados. A efetividade das ações governamentais tem impacto direto na vida das pessoas e na justiça social.

"A política pública não deve ser medida pelo quanto se gasta, mas por quão efetiva ela é", afirmou o economista. Essa perspectiva orienta a responsabilidade na gestão dos recursos públicos, visando resultados concretos para a sociedade.

Lima citou exemplos internacionais de países como Nova Zelândia, Reino Unido e México, que implementam sistemas rigorosos de monitoramento e avaliação de políticas públicas, garantindo maior retorno social para os investimentos.

Quanto aos efeitos do desequilíbrio fiscal na economia, Lima explicou que, embora o Brasil ainda atraia capital estrangeiro, um cenário de contas públicas mais sólidas permitiria atrair significativamente mais recursos. Isso se traduziria em inflação menor e crescimento econômico mais robusto, com benefícios diretos para a população, especialmente os mais vulneráveis.

O economista destacou que o investimento público caiu de mais de 10% do PIB para menos de 3% atualmente. Essa retração abre espaço para o mercado de capitais atuar em projetos de infraestrutura, mas a falta de previsibilidade fiscal pode afugentar investidores e prejudicar o desenvolvimento.

Ao analisar o comunicado do Copom, Lima considerou que a redução de 0,25 ponto percentual na Selic ocorreu conforme o esperado. No entanto, o tom do comunicado foi mais cauteloso do que o previsto pelo mercado.

Segundo o economista, o Banco Central reforçou o diagnóstico de pressões inflacionárias, tanto de oferta quanto de demanda, com destaque para a inflação de serviços, que acumulou 5,9% em 12 meses. A projeção para a convergência da inflação à meta agora aponta para o primeiro trimestre de 2028, evidenciando os desafios persistentes.

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