ECONOMIA ALERTA AGORA
Banco Central exige cautela para juros diante de crise global
Taxa Selic em 14,50% ao ano, após corte de 0,25 p.p. em 29 de abril de 2026. Ata revela preocupação com efeitos da tensão geopolítica.
Em um anúncio que direciona o futuro da economia brasileira, o Banco Central revelou, nesta terça-feira, 05 de maio de 2026, a ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), indicando a necessidade de “serenidade e cautela” na política monetária. A decisão de manter essa postura prudente é motivada pela crescente incerteza global e pelo aprofundamento dos conflitos no Oriente Médio, cujos desdobramentos podem impactar diretamente as cadeias de produção e a inflação, afetando o poder de compra e o custo de vida de milhões de brasileiros.
A autoridade monetária argumenta que a prolongada demora na resolução dos embates no Oriente Médio, caracterizada por “informações incompletas e contraditórias”, eleva a probabilidade de impactos mais duradouros nas cadeias de produção e distribuição globais. O documento, divulgado nesta terça-feira, 05 de maio de 2026, reforça o clima de incerteza que paira sobre a economia mundial. A íntegra da ata pode ser consultada em formato PDF (392 kB).

Apesar da cautela, o Copom já havia decidido cortar a taxa Selic em 0,25 ponto percentual na quarta-feira, 29 de abril de 2026. O juro básico da economia caiu de 14,75% para 14,50% ao ano. Essa redução, que era amplamente esperada pelos agentes financeiros, foi tomada de forma unânime entre os diretores do Banco Central.
Este foi o segundo corte consecutivo nos juros, somando uma queda acumulada de 0,50 ponto percentual. Na reunião anterior, o Comitê de Política Monetária também havia promovido uma redução de 0,25 ponto percentual na Selic.

O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, havia se manifestado em 30 de março, afirmando que a política monetária ainda possuía uma “gordura” para cortes, mesmo diante das pressões inflacionárias desencadeadas pelo conflito no Oriente Médio.
A ata, liberada nesta terça-feira, 05 de maio de 2026, menciona por seis vezes a escalada dos conflitos entre Irã, Israel e Estados Unidos. O texto sublinha que o ambiente externo permanece instável, “em função da indefinição a respeito da duração, extensão e desdobramentos dos conflitos geopolíticos”.
A taxa Selic, mesmo após a recente redução, mantém-se em um patamar restritivo. Seu objetivo é frear o consumo e a economia para controlar a inflação. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que mede a inflação anualizada no Brasil, registrou 4,14% em março. Embora dentro da margem de tolerância da meta (3% com teto de 4,5%), o índice preocupa ao se aproximar do limite superior.
O Banco Central alerta que as expectativas de inflação subiram após o início dos conflitos e continuam acima da meta em todos os horizontes de previsão. Para 2026, a autoridade monetária revisou a projeção de inflação para 4,6%, um valor que excede o teto da meta estabelecida.
A instituição já havia sinalizado que a guerra no Oriente Médio poderia gerar um impacto econômico significativo e duradouro. O futuro da Selic dependerá diretamente da “profundidade” e da “extensão” desses conflitos, conforme reiterado na última ata do Copom.
“As últimas divulgações de inflação, tanto ao consumidor quanto ao produtor, mostraram sinais claros de efeitos dos conflitos geopolíticos no Oriente Médio, situando-se em valores significativamente acima dos inicialmente esperados”, destaca o documento.
COPOM DESFALCADO
A composição do Copom tem sido um ponto de atenção, pois a última reunião ocorreu sem a presença de todos os integrantes possíveis. O presidente Lula ainda não indicou os dois nomes para preencher as diretorias vagas do Banco Central:
- Diretor de Organização do Sistema Financeiro e de Resolução;
- Diretor de Política Econômica.
Os mandatos de Renato Dias de Brito Gomes e Diogo Abry Guillen para as diretorias de Organização e Política Econômica, respectivamente, encerraram-se em dezembro de 2025. Com isso, o comitê acumulou três reuniões com duas cadeiras vazias.
Fernando Haddad, ex-ministro da Fazenda, sugeriu a Lula a indicação de Guilherme Mello, secretário-executivo do Ministério do Planejamento e Orçamento. Contudo, essa proposta não avançou, dado que o economista não é bem-recebido pelos agentes financeiros, em parte por suas declarações sobre juros e inflação.
A lei de Autonomia Operacional, de 2021, estabelece que o Copom deve ter nove integrantes: oito diretores e o presidente do Banco Central. As reuniões, entretanto, têm sido conduzidas com quórum reduzido, o que pode levantar questionamentos sobre a plenitude das decisões.
O encontro mais recente, realizado em 28 e 29 de abril, contou com apenas seis integrantes:
- Gabriel Galípolo, presidente;
- Ailton De Aquino Santos, diretor de Fiscalização;
- Gilneu Vivan, diretor de Regulação;
- Izabela Moreira Correa, diretora de Cidadania e Supervisão de Conduta;
- Nilton David, diretor de Política Monetária;
- Paulo Picchetti, diretor de Assuntos Internacionais e de Gestão de Riscos Corporativos.
O diretor Rodrigo Teixeira, da área de Administração, não pôde participar devido ao falecimento de um familiar de primeiro grau.
Os futuros indicados pelo presidente Lula precisarão passar por sabatina na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado e, em seguida, ter seus nomes aprovados em plenário da Casa, um processo que garante a legitimidade e a expertise dos membros do Banco Central.
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