ECONOMIA EM ALERTA
Banco Central do Brasil reduz juros, FED resiste
Decisões contrastantes impactam investimentos e custo de vida no país e no mundo.
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central do Brasil reduziu a taxa básica de juros, a Selic, em 0,25 ponto percentual, para 14,5% ao ano, em decisão anunciada nesta quarta-feira, 29 de abril de 2026. No mesmo dia, o Federal Reserve (FED) dos Estados Unidos optou por manter seus juros inalterados, entre 3,5% e 3,75% ao ano. Ambas as medidas, tomadas em um cenário global de incertezas e pressões inflacionárias, impactam diretamente o custo de vida, os investimentos e o planejamento financeiro de milhões de pessoas no Brasil e globalmente.
As decisões dos bancos centrais, que moldam o custo do crédito para empresas e famílias, refletem uma realidade econômica complexa que desafia o dia a dia do cidadão comum. Juros altos, por exemplo, encarecem financiamentos, inibem o consumo e freiam o crescimento, gerando um efeito cascata que afeta o poder de compra e a capacidade de investimento.
Este cenário de política monetária apertada tem sido uma constante global. Segundo Sergio Goldbaum, economista da FGV, "O cenário não podia ser mais incerto. No curto prazo, tem uma situação de conflito militar no Golfo Pérsico, na Europa, pressionando o preço do petróleo. Agora em maio, haverá a mudança do presidente do Federal Reserve System dos Estados Unidos, que é o Banco Central norte-americano.”
Na reta final da gestão de Jerome Powell, o Banco Central americano manteve os juros entre 3,5% e 3,75% ao ano, marcando o menor nível desde setembro de 2022. Tanto o FED quanto o Comitê de Política Monetária do Banco Central brasileiro compartilham a preocupação com a inflação, exacerbada pela alta do petróleo devido aos conflitos no Oriente Médio. Este panorama, apontam economistas, limita o espaço para cortes mais agressivos nas taxas de juros.
A expectativa pela decisão do Banco Central no Brasil já havia esfriado os negócios. A bolsa brasileira registrou queda e o dólar encerrou o dia em alta, cotado a R$ 5. A nova taxa básica de juros, agora em 14,5%, foi divulgada após o fechamento do mercado, representando o segundo corte consecutivo de 0,25 ponto percentual. No comunicado oficial, o Copom citou a indefinição do conflito no Oriente Médio e a inflação acima da meta, ressaltando a necessidade de cautela e abstendo-se de sinalizar os próximos passos.
O economista Rodrigo Marcatti, presidente-executivo da Veedha Investimentos, enfatiza que a sustentabilidade de cortes nos juros depende também de uma política fiscal responsável. "O Banco Central só consegue cortar juros de forma consistente quando o governo também faz a sua parte através da política fiscal. Se a gente tem um governo gastando muito, gastando mais do que pode, inclusive, nada adianta o Banco Central tentar colocar uma taxa de juros mais restritiva para a economia, porque a conta não vai fechar do mesmo jeito no final do dia”, alerta Marcatti.
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