VALORES RETIRADOS
Banco Central devolve R$ 483 milhões esquecidos em abril; R$ 10,3 bilhões permanecem disponíveis
Desde a criação do Sistema de Valores a Receber (SVR), R$ 15 bilhões já foram devolvidos. Parte dos recursos será destinada ao Fundo de Garantia de Operações (FGO) para o programa Desenrola Brasil 2.0, mas o direito dos titulares é garantido.
Cidadãos e empresas retiraram R$ 482,8 milhões em recursos esquecidos no sistema financeiro somente em abril de 2026. A informação foi divulgada nesta quarta-feira, 10/06/2026, pelo Banco Central (BC). Desde o lançamento do Sistema de Valores a Receber (SVR), o montante devolvido a pessoas físicas e jurídicas já atingiu R$ 15 bilhões, demonstrando o impacto da iniciativa na recuperação de valores que poderiam se perder.
Apesar do avanço significativo nos resgates, os dados indicam que uma parcela considerável de recursos ainda aguarda a retirada pelos seus titulares. Em abril, o montante total disponível para saque somava R$ 10,3 bilhões. Esses valores, que poderiam impactar diretamente o orçamento de famílias e negócios, permanecem acessíveis, reforçando a importância do SVR como ferramenta de cidadania financeira.

Uma parte desses valores, no entanto, já começou a ser redirecionada para programas de interesse público. Em abril, o governo federal transferiu R$ 5,7 bilhões do SVR para o Fundo de Garantia de Operações (FGO). Este fundo atua como garantia para a renegociação de dívidas no contexto do programa Desenrola Brasil 2.0, buscando promover a inclusão financeira e a reestruturação econômica de cidadãos.
O Ministério da Fazenda assegura que essa transferência não anula o direito dos titulares aos recursos. O governo planeja emitir um edital de chamamento público para estabelecer os procedimentos de contestação e devolução dos valores que foram incorporados ao FGO. A medida visa garantir a transparência e a proteção dos direitos dos cidadãos.
Após a publicação do edital, os cidadãos terão um prazo de 30 dias para solicitar a devolução de quaisquer valores eventualmente transferidos ao FGO. A ausência de manifestação neste período resultará na incorporação definitiva dos valores ao patrimônio do fundo, utilizado em políticas públicas para redução da inadimplência.
O Sistema de Valores a Receber, idealizado pelo Banco Central, oferece um canal seguro para a consulta de recursos esquecidos. Esses valores podem originar-se de diversas fontes, como contas encerradas, tarifas cobradas indevidamente, saldos remanescentes de consórcios e cooperativas de crédito, bem como de outras instituições financeiras.
A consulta inicial para verificar a existência de valores é gratuita e não exige login. Para pessoas físicas, basta informar o Cadastro de Pessoa Física (CPF) e a data de nascimento. Para empresas, são necessários o Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) e a data de fundação.
Ao constatar a existência de valores disponíveis, o usuário deve acessar o sistema com uma conta Gov.br de nível prata ou ouro, mediante autenticação em duas etapas. A plataforma detalha o montante, a origem dos recursos, a instituição responsável pela devolução e os passos para o resgate.
O recebimento pode ocorrer de diferentes formas: o cidadão pode contatar diretamente a instituição financeira, solicitar a devolução pelo sistema do BC ou optar pela modalidade automática, recém-criada pela autoridade monetária. Essa última opção visa agilizar o processo para valores futuros, depositando-os diretamente na conta do titular.
A adesão ao serviço automático é opcional e está disponível apenas para pessoas físicas com chave Pix vinculada ao CPF, proporcionando conveniência e segurança.
As estatísticas divulgadas pelo Banco Central refletem um período de defasagem de dois meses, necessário para a consolidação dos dados e a inclusão de novas fontes de recursos identificadas no setor financeiro.
Quem já sacou
Os dados mais recentes indicam que 41,46 milhões de correntistas já recuperaram valores esquecidos, sendo 36,95 milhões de pessoas físicas e 4,51 milhões de pessoas jurídicas. Contudo, mais de 50,33 milhões de beneficiários ainda não realizaram o saque, incluindo 45,32 milhões de pessoas físicas e 5,01 milhões de empresas.
A análise dos valores revela que a maioria dos recursos disponíveis é de pequeno porte. Cerca de 64,57% dos beneficiários têm direito a valores de até R$ 10, enquanto 23,42% possuem quantias entre R$ 10,01 e R$ 100. Valores acima de R$ 100 representam 9,91% dos registros, e apenas 2,1% dos titulares podem receber mais de R$ 1 mil.
Alerta para golpes
O Banco Central reitera o alerta contra tentativas de golpe relacionadas ao SVR. Criminosos têm enviado mensagens falsas prometendo a recuperação de valores esquecidos mediante o pagamento de taxas ou a solicitação de dados pessoais. É crucial ressaltar que todos os serviços do Sistema de Valores a Receber são gratuitos, e o BC não envia links por mensagens, e-mails ou aplicativos para tratar de resgates.
A instituição enfatiza que não realiza contatos para solicitar senhas, códigos de autenticação ou confirmação de dados pessoais. Qualquer abordagem nesse sentido deve ser considerada suspeita e imediatamente reportada.
A persistência de um volume elevado de recursos sem resgate evidencia que o SVR continua sendo um instrumento vital para a recuperação de valores esquecidos. Simultaneamente, a destinação parcial de recursos ao FGO fortalece políticas públicas voltadas à redução da inadimplência e à ampliação do acesso ao crédito, demonstrando a importância da iniciativa para a economia e o bem-estar social.
De onde vêm os valores esquecidos
- Contas-correntes ou poupanças encerradas;
- Cotas de capital e rateio de sobras líquidas de ex-participantes de cooperativas de crédito;
- Recursos não procurados de grupos de consórcio encerrados;
- Tarifas cobradas indevidamente;
- Parcelas ou despesas de operações de crédito cobradas indevidamente;
- Contas de pagamento pré ou pós-paga encerradas;
- Contas de registro mantidas por corretoras e distribuidoras encerradas;
- Outros recursos disponíveis nas instituições financeiras para devolução.
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