DECISÃO DE Juros
Banco Central decide corte de 0,25 ponto na Selic nesta quarta-feira; Guerra e inflação pressionam Copom
A decisão sobre a Taxa Selic ocorre nesta quarta-feira (17/06/2026). O mercado projeta um corte de 0,25 ponto percentual, mas riscos como a guerra no Oriente Médio e a pressão inflacionária podem influenciar o discurso do Copom.
Nesta quarta-feira, 17 de junho de 2026, o Banco Central deve anunciar a redução da Taxa Selic em 0,25 ponto percentual, fixando-a em 14,25% ao ano. Para uma parcela do mercado financeiro, esta pode ser a última diminuição antes de uma pausa no ciclo de cortes. A informação foi divulgada pela Folha de São Paulo.
A decisão do Copom é impactada por um cenário complexo, que inclui a guerra no Oriente Médio, a piora nas expectativas de inflação e os estímulos fiscais anunciados pelo governo Lula. Especialistas avaliam que a postura do Banco Central pode se tornar mais restritiva nas próximas reuniões.
Desde março, o Comitê de Política Monetária (Copom) já promoveu uma redução acumulada de 0,5 ponto percentual na Selic, com dois cortes sucessivos de 0,25 ponto. Ciclos de queda de magnitude semelhante ocorreram anteriormente em 2002 e 2004.
Um acordo preliminar entre Estados Unidos e Irã para a reabertura do estreito de Hormuz gera ceticismo. Ana Madeira, do Morgan Stanley, considera que o evento eleva a incerteza, mas não deve ser o único fator a ditar a decisão do Copom.
O Morgan Stanley ajustou suas projeções, agora antecipando uma pausa nas reduções em agosto, após o corte previsto para esta reunião. Madeira espera que o comunicado do Copom reforce os argumentos contrários à flexibilização monetária ('hawkish') para sinalizar essa possibilidade.
Os dados do boletim Focus, divulgados nesta segunda-feira, 15 de junho, apontam uma deterioração nas projeções de inflação. A estimativa para 2026 subiu de 5,11% para 5,30%; para 2027, de 4% para 4,10%; e para 2028, de 3,65% para 3,68%.
O conjunto de medidas fiscais e parafiscais implementadas pelo governo, que envolve R$ 215 bilhões em crédito expandido, também é um fator de preocupação. Luiz Fernando Figueiredo, ex-diretor do Banco Central, afirma que essa política "conflita com o que o Banco Central quer fazer".
Caio Megale, da XP, destaca pressões adicionais sobre a inflação, incluindo custos relacionados à tecnologia e inteligência artificial, o risco do fenômeno El Niño e uma taxa de câmbio mais desvalorizada em comparação com a reunião anterior do Copom.
Segundo Megale, a equipe da XP está dividida quanto à projeção para a Selic em agosto, com estimativas entre 14% e 14,25%. Ele ressalta que os juros dificilmente cairão abaixo de 14% no curto prazo.
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