ATAQUES CIBERNÉTICOS

Bancarização torna o Brasil alvo de ciberataques, afirma VP da CrowdStrike

Jeferson Propheta, VP da CrowdStrike, falando sobre o aumento de ciberataques no Brasil.
Jeferson Propheta, vice-presidente da CrowdStrike para a América do Sul, em declarações sobre a segurança cibernética no Brasil.

VP da CrowdStrike para a América do Sul detalha o cenário de digitalização financeira agressiva no país e o aumento global de ataques a instituições financeiras. Relatório aponta China e Coreia do Norte como patrocinadores de intrusões.

O Brasil se tornou um epicentro de ciberataques direcionados ao setor financeiro, impulsionado por uma digitalização agressiva e um sistema bancário altamente conectado. A afirmação é de Jeferson Propheta, vice-presidente da CrowdStrike para a América do Sul, que explicou o cenário em um relatório recente da empresa de segurança cibernética. Segundo o documento, divulgado nesta segunda-feira, 08/06/2026, as instituições financeiras globais sofreram um aumento de 43% em ataques conduzidos por humanos em 2025, comparado aos dois anos anteriores, tornando a proteção digital uma preocupação urgente para o país.

Propheta detalhou que a bancarização intensa e acelerada no Brasil, promovida tanto por fintechs quanto por bancos consolidados, expandiu drasticamente a superfície de ataque. Esse volume ímpar de transações financeiras atrai criminosos cibernéticos, que veem no país um alvo lucrativo para extrair fundos e informações.

Todos os agentes do sistema financeiro são alvos

A ameaça não distingue entre instituições financeiras tradicionais e novas startups. “Todo mundo que está conectado no sistema financeiro é um alvo em potencial”, afirmou Propheta. Setores como o varejo, que passaram a integrar o sistema financeiro com a criação de bancos digitais próprios, também estão na mira. “A gente vê ataques de volume em todos os lugares”, ressaltou o executivo, indicando que os criminosos visam tanto consumidores quanto as próprias empresas, priorizando aquelas com maior volume de transações.

Estados patrocinando ataques cibernéticos

O levantamento da CrowdStrike também lança luz sobre o envolvimento de estados em atividades cibernéticas. Cerca de 25% das intrusões identificadas são atribuídas a atores patrocinados por governos. A China, por exemplo, é apontada como mantenedora de uma presença digital intensa com o objetivo de coletar informações estratégicas, como acordos comerciais e governamentais. Já a Coreia do Norte utiliza o ciberespaço como rota de fuga financeira, buscando receita para o regime em meio às sanções internacionais. Relatos indicam que o país teria desviado mais de US$ 2 bilhões em criptoativos no último ano por meio dessas operações.

Inteligência artificial acelera e sofistica os ataques

A inteligência artificial (IA) emerge como um catalisador de riscos, diminuindo a barreira técnica para a execução de ataques em larga escala por grupos menos experientes. “A IA encurtou essa distância técnica, essa capacidade de coletar informação e processar essa informação e usar isso como um armamento contra as empresas”, explicou Propheta. O tempo médio para quebrar uma segurança foi reduzido para 29 minutos, com o caso mais rápido registrado em apenas 27 segundos nos últimos 12 meses.

O vice-presidente da CrowdStrike também alertou sobre os perigos do uso corporativo de ferramentas de IA. Dados enviados a esses modelos podem expandir a superfície de ataque das empresas, pois as ferramentas retêm contexto sobre as interações. “É preciso ter cuidado com o tipo de dado que a gente está mandando para a inteligência artificial”, advertiu. Para combater essa ameaça em evolução, Propheta defende que as empresas adotem a própria IA como ferramenta de defesa, garantindo uma atuação tão ágil quanto a dos atacantes.

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