RECUPERAÇÃO HISTÓRICA

Avibras reabre em SP e põe fim a anos de crise

Maior indústria bélica do Brasil, Avibras, retorna à operação em Jacareí, SP.
Avibras retoma atividades em Jacareí, SP, após acordo com o Sindicato. — Foto: Andressa Lorenzetti/TV Vanguarda

Acordo com Sindicato dos Metalúrgicos garante R$ 230 milhões em dívidas e 271 empregos em Jacareí. Retorno acontece nesta segunda-feira, 04 de maio de 2026.

Após anos de paralisação e uma crise profunda, a Avibras Aeroco reabriu suas portas em Jacareí, SP, nesta segunda-feira, 04 de maio de 2026, marcando o fim de uma era de incertezas para centenas de famílias. A decisão de retomar as operações e quitar dívidas trabalhistas, estimadas em cerca de R$ 230 milhões, veio de um acordo assinado em março entre a empresa e o Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e região, validado pelos próprios trabalhadores. Este retorno não apenas reativa uma das maiores indústrias bélicas do Brasil, mas também restaura a dignidade e a esperança de 271 funcionários que agora veem a possibilidade de reconstruir suas vidas profissionais.

Acompanhada de grande expectativa, a movimentação na porta da fábrica começou por volta das 7h, com a chegada do primeiro ônibus fretado, recebendo os funcionários com a presença de lideranças da Avibras Aeroco e representantes sindicais.

Inicialmente, 148 funcionários voltam ao trabalho nesta segunda-feira, 04 de maio de 2026. Na próxima quarta-feira, 06 de maio de 2026, mais 100 se juntam ao quadro, e em 18 de maio de 2026, outros 23 iniciarão suas atividades, totalizando os 271 trabalhadores recontratados ou reintegrados.

A empresa, agora operando sob o nome Avibras Aeroco, é liderada por Sami Hassuani, que já esteve à frente da companhia. A nova gestão foca em um crescimento sustentável e na expansão para novos mercados, buscando consolidar sua posição estratégica no setor bélico nacional e internacional.

A retomada é um divisor de águas após um período turbulento. A Avibras enfrentava severas dificuldades financeiras desde 2022, resultando em 420 demissões em março do mesmo ano, posteriormente revertidas, e um pedido de recuperação judicial.

O ápice da crise foi em setembro de 2022, quando os trabalhadores iniciaram uma greve por falta de pagamento de salários. A paralisação se estendeu por mais de três anos, somando impressionantes 1.280 dias, e foi reconhecida como uma das mais longas do país. Nesse período, a empresa acumulou débitos com cerca de 1,4 mil funcionários, gerando um cenário de profunda angústia para suas famílias.

O acordo de quitação das dívidas trabalhistas prevê pagamentos parcelados, variando de 12 a 48 vezes, adaptando-se às faixas salariais dos beneficiários. Para concretizar esta nova fase, a Avibras Aeroco passou por um processo de reestruturação que incluiu demissões e recontratações nos meses anteriores.

Com o reinício das atividades, a Avibras Aeroco projeta uma retomada gradual da produção, virando a página de um dos capítulos mais desafiadores de sua história e reafirmando seu papel vital na indústria de defesa do Brasil.

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