TERREMOTO NA VENEZUELA

Autoridades venezuelanas estimam dezenas de desaparecidos após terremoto; La Guaira é declarada zona de desastre

Voluntários buscam por sobreviventes em meio a escombros de prédio desabado.
Voluntários procuram por vítimas em prédio que desabou em La Guaira, em 25 de junho de 2026 — Foto: Federico Parra/AFP

Mais de 24 horas após sismos de 7,2 e 7,5, resgates avançam lentamente em La Guaira, cidade mais afetada. Moradores buscam por conta própria por familiares sob escombros.

Dezenas de pessoas podem continuar presas sob escombros mais de 24 horas após o duplo terremoto que atingiu a Venezuela na noite de quarta-feira, 24 de junho de 2026. A situação mais crítica se concentra na cidade de La Guaira, classificada pelo governo como "zona de desastre". Autoridades venezuelanas trabalham em conjunto com empresas privadas para mobilizar máquinas pesadas e agilizar os resgates, enquanto moradores relatam a demora no socorro em locais onde prédios desabaram.

O último balanço, divulgado na quinta-feira, 25 de junho de 2026, indicava 235 mortes e mais de 1.500 feridos. Cerca de 200 pessoas permanecem sob escombros. Um site criado para reunir informações sobre desaparecidos contabiliza quase 40 mil registros, embora este número não tenha sido verificado de forma independente nem confirmado pelo governo.

Em La Guaira, localizada na costa norte a cerca de 30 km de Caracas, a população busca vítimas por conta própria. "Estamos tentando ajudar com o que podemos, mas faltam equipamentos", disse Carlos Borges, que participava das buscas à Reuters. Moradores transportavam água, alimentos e medicamentos ao longo da rodovia que liga Caracas a La Guaira para complementar o trabalho das equipes de resgate. "Meu filho está debaixo das placas de concreto e não há máquinas para tirá-lo de lá", lamentou Yamileth Jiménez, que busca pelo filho de 19 anos.

Hospitais ficaram lotados, e milhares de pessoas passaram a noite na rua. O Hospital José María Vargas, em La Guaira, atendeu 112 pacientes com apenas três médicos, resultando em nove mortes por consequência dos ferimentos. "Precisamos de aparelhos para medir pressão, gazes, termômetros, luvas, gesso, analgésicos... de tudo", afirmou o médico Augusto Ramírez. As Forças Armadas começaram a instalar hospitais de campanha na região.

Em Caracas, os tremores provocaram danos, com moradores correndo para as ruas e passando a noite em locais abertos por medo de novos desabamentos. Partes da capital ficaram sem energia elétrica e sinal de celular. O metrô teve operações suspensas, o fornecimento de gás interrompido e as escolas permanecerão fechadas. Algumas unidades de ensino serão usadas como abrigos. O governo informou que pelo menos oito hospitais, a sede da Cruz Vermelha Venezuelana e a embaixada da França sofreram danos.

Segundo projeções do Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS), o número de mortos pode aumentar à medida que as equipes consigam acessar as áreas mais destruídas. Socorristas da República Dominicana e de El Salvador já chegaram ao país, e diversos governos, incluindo Estados Unidos, Brasil, Portugal, Espanha, Canadá, México e Catar, ofereceram apoio. Os Estados Unidos aliviaram temporariamente parte das sanções econômicas para facilitar a ajuda humanitária. A ONU coordena uma força-tarefa internacional e ressalta a necessidade de um grande esforço humanitário em um país já em crise. A empresa Starlink fornecerá internet gratuita nas áreas afetadas até 25 de julho.

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