MOBILIDADE EM RISCO

Aumento de bicicletas elétricas gera conflitos e riscos nas vias do Brasil

Ciclistas e condutores de bicicletas elétricas em trânsito caótico em São Paulo
Flagrantes de imprudência e desrespeito nas ciclovias da principal cidade do Brasil — Foto: Reprodução/TV Globo

Imprudência, excesso de velocidade e falta de fiscalização transformam o trânsito urbano. Prefeitura avalia novos limites de velocidade para garantir a segurança.

O aumento exponencial do uso de bicicletas elétricas e veículos leves no Brasil tem gerado um cenário de insegurança nas vias urbanas, marcado por atropelamentos, colisões e desrespeito às normas básicas de trânsito. O crescimento acelerado desse meio de transporte, impulsionado pela busca por agilidade em centros urbanos, revela falhas estruturais e comportamentais que afetam diretamente a integridade física de pedestres e ciclistas.

A situação ganhou visibilidade após o Fantástico exibir, em reportagem, uma série de flagrantes de condutas perigosas. As imagens evidenciam o tráfego na contramão, a desobediência a semáforos e a circulação em velocidades incompatíveis com o fluxo de pessoas, fenômeno observado com intensidade na Avenida Faria Lima, em São Paulo.

A busca por eficiência no deslocamento diário é o principal motor da adesão a esses veículos, permitindo que trabalhadores reduzam o tempo de trajeto em cidades com congestionamentos crônicos. Contudo, essa praticidade esbarra em infrações graves. Conforme o Conselho Nacional de Trânsito (Contran), qualquer veículo elétrico que exceda 32 km/h deve ser reclassificado como ciclomotor, perdendo o direito de circular em ciclovias ou ciclofaixas. A adulteração dos motores de fábrica é apontada por especialistas como a causa da maioria das ocorrências acima desse limite.

O impacto dessas irregularidades é severo. Peritos alertam que um atropelamento a 32 km/h gera um dano equivalente a uma queda de uma altura de até cinco metros, elevando o risco de lesões graves. Atualmente, a Prefeitura de São Paulo finalizou uma consulta pública para regulamentar a circulação, estudando reduzir a velocidade máxima permitida para 20 km/h.

Em contrapartida, a Associação Brasileira do Veículo Elétrico defende que a regulamentação considere as particularidades das vias, sugerindo limites variáveis conforme a infraestrutura disponível. A entidade enfatiza que o foco central deve ser a fiscalização contra as adulterações que colocam a vida dos cidadãos em risco.

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