ECONOMIA INSTÁVEL

Áudios de Flávio Bolsonaro agitam o mercado financeiro

Entenda o que faz o preço do dólar subir ou cair
Funcionário de banco em Jacarta, na Indonésia, conta notas de dólar, em 10 de abril de 2025. — Foto: Tatan Syuflana/ AP

Polêmica gera cautela em investidores, que monitoram eleições e Oriente Médio. Dólar atinge R$ 5,00.

A instabilidade política interna e as tensões geopolíticas no exterior pautaram o mercado financeiro, que reagiu com volatilidade nesta quinta-feira, 14 de maio de 2026. A repercussão dos áudios envolvendo o senador Flávio Bolsonaro, que levantaram dúvidas sobre o cenário eleitoral e o ajuste das contas públicas, levou investidores a uma postura mais cautelosa. Esse clima de incerteza impactou diretamente o dólar, que subiu, e o Ibovespa, que recuou, gerando preocupação sobre a economia nacional e o poder de compra da população.

A volatilidade reflete a inquietude dos investidores diante de eventos que podem alterar o curso da economia. A avaliação geral é que o escândalo envolvendo Flávio Bolsonaro pode diminuir as chances de alternância no governo, impactando as expectativas de um ajuste fiscal robusto. Na quinta-feira, 14 de maio de 2026, o Ibovespa registrou uma queda de 1,8%, enquanto o dólar valorizou mais de 2%, retornando ao patamar de R$ 5,00. Nesta sexta-feira, 15 de maio de 2026, o mercado demonstra uma leve acomodação, buscando um equilíbrio após a forte reação do dia anterior.

No cenário internacional, o fim do encontro entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o presidente da China, Xi Jinping, direcionou as atenções para as crescentes tensões geopolíticas no Oriente Médio. A ausência de avanços nas negociações com o Irã e o fechamento do Estreito de Ormuz continuam a impulsionar os preços do petróleo. Por volta das 8h45 (horário de Brasília) desta sexta-feira, 15 de maio de 2026, o barril do Brent registrava alta de mais de 2%, alcançando US$ 108,28 e aproximando-se dos US$ 110 observados mais cedo.

Confira a movimentação do mercado:

Dólar

  • Acumulado da semana: +1,88%
  • Acumulado do mês: +0,69%
  • Acumulado do ano: -9,16%

Ibovespa

  • Acumulado da semana: -3,12%
  • Acumulado do mês: -4,78%
  • Acumulado do ano: +10,70%

Escândalo político agita cenário nacional

O senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato do Partido Liberal (PL) à Presidência da República, confirmou ter solicitado recursos ao banqueiro Daniel Vorcaro para financiar o filme “Dark Horse”, que aborda a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro. Em áudio revelado pelo The Intercept Brasil, e cuja autenticidade foi confirmada pela TV Globo a investigadores, o senador pediu US$ 24 milhões, o equivalente a cerca de R$ 134 milhões na época. Flávio Bolsonaro defendeu-se, alegando que não houve irregularidade na solicitação.

O caso ganhou destaque por desmentir declarações anteriores do senador, que negava envolvimento nas tratativas. A polêmica se intensificou, pois Flávio Bolsonaro, ao mesmo tempo, criticava publicamente o Banco Master e pleiteava a criação de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) para investigar escândalos relacionados à instituição financeira.

A Polícia Federal investiga se os fundos associados a Daniel Vorcaro foram utilizados para cobrir despesas do deputado licenciado Eduardo Bolsonaro nos EUA. A suspeita é que o filme “Dark Horse” possa ter servido como um pretexto para a transferência desses valores. Os investigadores buscam determinar se o dinheiro foi de fato destinado à produção audiovisual, se houve desvio de finalidade ou se parte dos recursos financiou a permanência de Eduardo no exterior, o que configuraria um grave problema ético e legal, impactando a confiança da população nas instituições.

A repercussão desse caso abalou os mercados financeiros na quarta-feira, 13 de maio de 2026. O dólar subiu 2,31%, fechando o dia cotado a R$ 5,0085, e o Ibovespa recuou 1,80%, atingindo 177.098 pontos. Investidores interpretam a controvérsia como um fator que pode desgastar a imagem de Flávio Bolsonaro e comprometer suas chances na corrida presidencial, alterando as expectativas sobre a futura gestão governamental e seus impactos nas contas públicas. Essa incerteza pressiona o câmbio e contribui para a queda da bolsa, refletindo a desconfiança em relação à estabilidade política e econômica.

Cúpula EUA-China e seu impacto global

A visita do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, à China manteve os mercados globais em alerta na quarta-feira, 13 de maio de 2026. O encontro com o presidente chinês, Xi Jinping, representou o primeiro bilateral entre os dois líderes desde 2017 e foi acompanhado de perto por investidores, pela sua capacidade de redefinir as relações entre as maiores economias do mundo e, consequentemente, os rumos do comércio e da estabilidade global.

Em Pequim, Trump adotou um tom conciliador, expressando otimismo sobre um "futuro fantástico" para a relação bilateral e elogiando a "relação fantástica" com Xi Jinping. Ele declarou que os laços entre EUA e China "serão melhores do que nunca", além de convidar o líder chinês para uma visita oficial aos Estados Unidos em setembro. Essa postura amistosa foi bem recebida pelo mercado, diminuindo, pelo menos no curto prazo, os temores de novos conflitos comerciais entre Washington e Pequim.

Entre os tópicos de destaque nas discussões estavam a possível extensão da trégua na guerra tarifária, as complexas tensões envolvendo o Irã, a delicada questão de Taiwan e a acirrada disputa tecnológica em setores como inteligência artificial e produção de semicondutores. Esses pontos evidenciam a complexidade das relações internacionais e o seu peso direto nas economias mundiais.

Mercados globais: desempenho variado

Na quinta-feira, 14 de maio de 2026, as bolsas de Nova York registraram alta, impulsionadas principalmente pelo avanço das ações da Nvidia, que subiram mais de 4% em meio à cúpula entre EUA e China. A valorização dos papéis da empresa ocorreu após a agência Reuters noticiar que o governo americano concedeu autorização a cerca de dez empresas chinesas para adquirirem o H200, o segundo chip mais potente da Nvidia.

O índice Dow Jones avançou 0,75%, fechando aos 50.063,46 pontos, enquanto o S&P 500 teve alta de 0,77%, para 7.501,39 pontos. O Nasdaq, concentrado em empresas de tecnologia, apresentou um crescimento de 0,88%, alcançando 26.635,22 pontos.

Na Europa, o desempenho foi igualmente positivo. O índice STOXX 600, que reúne ações de diversos países do continente, encerrou em alta de 0,76%, aos 616,04 pontos, seguindo a valorização de 0,8% do pregão anterior.

Entre as principais bolsas europeias, o FTSE 100, de Londres, registrou um aumento de 0,46%, para 10.372,93 pontos. Em Paris, o índice CAC 40 ganhou 0,93%, atingindo 8.082,27 pontos. Já em Frankfurt (DAX), o avanço foi mais expressivo, de 1,32%, fechando a 24.456,26 pontos.

Por outro lado, na Ásia, o dia foi marcado por quedas nos mercados chineses e no Japão. Em Xangai, o principal índice recuou 1,52%, para 4.177 pontos. O CSI 300, que engloba as maiores empresas listadas nas bolsas de Xangai e Shenzhen, caiu 1,68%, para 4.914 pontos.

Em Hong Kong, o índice Hang Seng manteve-se praticamente estável, aos 26.389 pontos. Em Tóquio, o Nikkei encerrou o pregão com uma baixa de 0,98%, fechando a 62.654 pontos.

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