Reação

Associações policiais rebatem fala de Presidente Lula sobre delegacias

Presidente Lula em reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico Social Sustentável.
Presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) durante reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico Social Sustentável.

Entidades criticam declaração do Presidente de que povo tem "medo" de procurar delegacias para devolver celulares roubados.

Associações policiais reagiram nesta segunda-feira, 15 de junho de 2026, à declaração feita pelo Presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na quarta-feira, 10 de junho de 2026. Na ocasião, o Presidente afirmou que parte da população evita devolver celulares roubados em delegacias por “medo” do atendimento que poderão encontrar.

A declaração ocorreu durante a 7ª Reunião Plenária do Conselho de Desenvolvimento Econômico Social Sustentável, onde o Presidente apresentou uma proposta do governo federal para aumentar a recuperação de celulares roubados ou furtados. O plano prevê o envio de notificações aos aparelhos com registro de roubo para informar ao portador a origem ilícita do dispositivo e incentivar sua devolução. Segundo o Presidente, os celulares poderão ser entregues em agências dos Correios.

“Na delegacia, as pessoas têm até medo, porque não sabem o tipo de delegado que vão encontrar ou o tipo de policial”, declarou o Presidente ao defender a medida, sugerindo que essa apreensão afeta a segurança pública e a devolução de bens.

As falas motivaram manifestações de entidades ligadas à Polícia Civil. O Sindesp (Sindicato dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo) e a Adepol (Associação dos Delegados de Polícia do Brasil) criticaram a declaração. Para a Adepol, a fala foi “inadequada, injusta e descontextualizada”, transmitindo uma percepção equivocada sobre o trabalho realizado nas delegacias e afetando a dignidade dos profissionais da área.

O presidente da Frente Parlamentar da Segurança Pública, deputado Alberto Fraga (PL-DF), também se manifestou, afirmando que o Presidente lançou suspeitas injustificadas sobre o trabalho das Polícias Civis, atingindo a credibilidade dos seus profissionais. O Sinpol-PE (Sindicato dos Policiais Civis de Pernambuco) endossou a crítica, defendendo políticas públicas técnicas e o fortalecimento institucional.

A Cobrapol (Confederação Brasileira de Trabalhadores Policiais Civis) declarou apoio às iniciativas de combate ao mercado ilegal de celulares, mas criticou generalizações que, segundo a entidade, podem gerar interpretações errôneas sobre a atuação das Polícias Civis.

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