GEOPOLÍTICA E SEGURANÇA

Arsenal nuclear atua como freio para uma guerra global, aponta especialista

Mísseis e arsenal nuclear simbolizando a dissuasão militar.
O poderio nuclear das potências mundiais é o foco de debates sobre segurança internacional.

A existência de armamentos nucleares impede que conflitos regionais escalem para confrontos mundiais, avalia o professor Marcus Vinícius de Freitas.

O arsenal nuclear consolidou-se como o principal fator de dissuasão contra a transformação de tensões regionais em uma guerra global, conforme análise do professor visitante da Universidade de Relações Exteriores da China, Marcus Vinícius de Freitas. O especialista apresentou sua visão durante o WW Especial, programa apresentado por William Waack.

Para Marcus Vinícius de Freitas, o elemento nuclear atua como um mecanismo inibidor que impede a escalada de hostilidades para proporções incontroláveis. Essa percepção ganha relevância em um cenário internacional marcado pela fragmentação de conflitos e pelo aumento das tensões geopolíticas.

O cenário de instabilidade

O Oriente Médio enfrenta um período de instabilidade acentuada desde que ataques envolvendo Estados Unidos e Irã eclodiram em 28 de fevereiro. A movimentação militar atingiu países como Jordânia e Omã. Recentemente, a cooperação entre Arábia Saudita e Estados Unidos em operações contra milícias no Iraque demonstrou a complexidade das alianças regionais. Além disso, incidentes contra embarcações no Egito reforçam a percepção de uma expansão da área de conflito.

Paralelamente, a guerra entre Ucrânia e Rússia também gera efeitos transfronteiriços. Episódios envolvendo o Mar Cáspio e incursões aéreas que atingiram territórios na Polônia e na Romênia, em maio deste ano, ilustram a vulnerabilidade dos países vizinhos aos desdobramentos das ações ordenadas por Vladimir Putin.

A barreira do medo

A reticência das potências em utilizar armamentos atômicos reside, segundo o professor, no receio de retaliações severas. Mesmo possuindo o maior estoque do mundo, com 5.459 ogivas, Moscou evita o emprego desse recurso diante da possibilidade de resposta dos Estados Unidos e da pressão da China.

Dados da Campanha Internacional para Abolir as Armas Nucleares indicam que, além da Rússia e dos Estados Unidos — que detêm 5.277 ogivas —, outros países compõem o grupo que detém tecnologia atômica, incluindo França, Reino Unido, Paquistão, Índia, Israel e Coreia do Norte. O equilíbrio de poder baseado nessa capacidade destrutiva permanece, por ora, como o elemento central que sustenta a estabilidade global.

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