ALÍQUOTA REDUZIDA

Argentina zera imposto de exportação de veículos; entenda impacto em preços no Brasil

Linha de produção automotiva na Argentina.
Linha de produção do Fiat Cronos no complexo de Ferreyra, na Argentina — Foto: Divulgação / Stellantis

Medida, válida até julho de 2027, busca aumentar competitividade da indústria automotiva argentina e pode refletir em modelos importados pelo Brasil.

A Argentina decidiu zerar o imposto de exportação de veículos, uma medida que entrou em vigor em julho de 2026 e se estenderá até julho de 2027. A alíquota, que antes era de 4,5%, impactava carros produzidos no país e destinados a outros mercados, como o Brasil. A decisão visa impulsionar a competitividade da indústria automotiva local e pode gerar reflexos nos preços de modelos importados no mercado brasileiro.

Veículos como a Fiat Cronos, produzida em Ferreyra, e picapes como a Ford Ranger e a Volkswagen Amarok, fabricadas na Argentina, estão entre os modelos que podem ter seus custos de produção alterados. A Renault também planeja produzir a Niagara no país, com lançamento previsto para o Brasil em setembro deste ano.

Segundo Cássio Pagliarin, especialista da Bright Consulting, a redução deste imposto pode levar a uma diminuição nos preços para o consumidor brasileiro, especialmente no segmento de picapes. "Pode haver reflexo, principalmente nas picapes. A diminuição desse imposto afeta o custo de produção e pode fazê-las mais atrativas", explicou o consultor. No entanto, Pagliarin ressalta que ainda é incerto o percentual desse desconto que será repassado ao cliente final, havendo também a possibilidade de as montadoras aumentarem suas margens de lucro.

Montadoras foram contatadas para comentar sobre a possibilidade de redução de preços para o consumidor brasileiro. Até o momento da publicação desta reportagem, nenhuma resposta foi fornecida. A matéria será atualizada assim que os fabricantes se pronunciarem.

Linha de produção automotiva na Argentina.

A Associação de Fabricantes de Automóveis da Argentina (ADEFA) comemorou a decisão, considerada um passo significativo para o aumento da competitividade do setor. A entidade destacou que o cronograma definido até meados de 2027 proporciona a previsibilidade necessária para o planejamento de produção, exportações e investimentos das montadoras.

"A redução da carga tributária sobre as exportações representa um estímulo direto para recuperar a competitividade nos mercados regionais e globais, em um cenário mundial extremamente desafiador", afirmou Rodrigo Pérez Graziano, presidente de ADEFA. A associação também defende a eliminação de impostos e taxas locais por províncias e municípios, que, segundo eles, podem impactar em até 10% o valor dos veículos exportados.

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