MUDANÇA NO MERCADO
Argentina deve superar o Brasil na exportação de milho em 2025/26
Com competitividade elevada e desafios logísticos no Brasil, o país vizinho assume a segunda posição global no ranking de exportadores do cereal.
A Argentina deverá ocupar o posto de segundo maior exportador global de milho na safra 2025/26, superando o Brasil em um cenário de forte concorrência internacional e mudanças no consumo doméstico. A projeção foi apresentada pela Hedgepoint Global Markets em uma conferência online realizada em 22/07/2026, apontando para um volume de 45 milhões de toneladas para os argentinos contra 43 milhões de toneladas para os brasileiros.
Essa movimentação reflete a competitividade dos preços da Argentina após uma safra robusta, somada a obstáculos enfrentados pelos exportadores brasileiros no envio do produto ao Irã. A redução nas compras iranianas, impactada por tensões geopolíticas, limita o escoamento brasileiro, que historicamente via no país asiático um de seus principais destinos.
Um fator determinante para essa alteração é o fortalecimento do mercado interno brasileiro. A demanda crescente por milho para a produção de ETANOL absorve parte da oferta nacional, reduzindo o excedente disponível para o mercado externo. O especialista Luiz Fernando Roque, da Hedgepoint, ressaltou que a recente decisão governamental de elevar a mistura de etanol anidro na gasolina para 32% pode demandar um volume adicional significativo, consolidando o uso do cereal como insumo energético estratégico.
Apesar da projeção de queda no ranking, analistas do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) ponderam que a posição brasileira é conjuntural. O crescimento do consumo para ração animal, estimado em 61,2 milhões de toneladas, e o avanço da indústria de biocombustíveis sugerem que o Brasil está transformando o uso de sua commodity em vez de apenas exportá-la em grão.
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