JUSTIÇA E DIGNIDADE

Anne Lagartixa cobra direitos para pai preso em Brasília

Anne Lagartixa cobra direitos para pai preso em Brasília

Vereadora defende ex-policial Wendell Lagartixa na Câmara Federal, destacando impacto familiar e legal. Acusação envolve chacina na Redinha em abril de 2022.

A vereadora Anne Lagartixa (PL) levou o caso de seu pai, Wendell Lagartixa, à Câmara Federal, em Brasília, nesta quinta-feira, 30 de abril de 2026, cobrando atenção e o cumprimento dos direitos e garantias fundamentais para o ex-policial, que permanece em prisão preventiva por acusações de alta gravidade. O gesto da parlamentar ressalta a tensão entre a dignidade individual e a rigidez do sistema judicial, em um processo que já mobiliza familiares e apoiadores no Rio Grande do Norte. Ela buscou sensibilizar deputados e senadores sobre a necessidade de uma análise justa e fundamentada, argumentando que a questão transcende o âmbito pessoal e toca na salvaguarda das prerrogativas legais de todo cidadão.

Em seu pronunciamento, Anne Lagartixa destacou que a situação de Wendell, que foi o deputado estadual mais votado na história do Rio Grande do Norte, exige um olhar atento aos princípios legais. Ela enfatizou o sofrimento e a incerteza que a manutenção da prisão preventiva impõe à família e aos apoiadores, transformando um drama pessoal em um debate público sobre a aplicação da justiça e a garantia de direitos. A parlamentar apelou para que o Legislativo e as instâncias superiores avaliem o caso com o devido rigor e imparcialidade.

O registro da participação da vereadora na audiência foi compartilhado em suas redes sociais e pode ser acessado em vídeo.

Wendell Fagner Cortez de Almeida, conhecido como Wendell Lagartixa, ex-policial militar, encontra-se preso preventivamente. Sua detenção se liga a investigações complexas sobre a atuação de supostos grupos de extermínio no Rio Grande do Norte.

Chacina da Redinha: A Acusação Principal

A principal acusação que mantém Lagartixa sob custódia refere-se à suposta participação em uma chacina. O crime ocorreu em 29 de abril de 2022, no bairro da Redinha, zona Norte de Natal, quando homens encapuzados e armados com pistolas e escopetas calibre 12 invadiram um bar, resultando em um trágico evento.

Operação Aqueronte: A Investigação

Lagartixa tornou-se réu no âmbito da Operação Aqueronte, deflagrada pela Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP). Esta operação investiga a possível existência de milícias formadas por agentes de segurança pública. O Ministério Público, por meio do Gaeco, sustenta que o crime na Redinha possui características de execução sumária, comumente associadas a grupos paramilitares.

Recursos Negados: STJ Mantém Prisão

Em 2025, a defesa de Wendell Lagartixa teve um pedido de habeas corpus negado pelo ministro Messod Azulay Neto, do Superior Tribunal de Justiça (STJ). Os advogados argumentavam a ilegalidade da prisão, citando o cumprimento de medidas cautelares anteriores e o arquivamento de outros processos. Contudo, o ministro considerou que os argumentos demandam uma análise mais aprofundada, optando por manter a prisão preventiva até o julgamento definitivo do mérito do caso. A decisão do STJ não é, portanto, definitiva quanto à culpa ou inocência, mas sobre a legalidade da manutenção da prisão cautelar.

Decisão do TJRN: Prisão Preventiva Reafirmada

Anteriormente, em janeiro de 2025, a Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte (TJRN) já havia votado pela manutenção da prisão preventiva de Lagartixa. Naquela mesma ocasião, outros três denunciados no caso tiveram suas prisões determinadas, reforçando a decisão inicial de custódia.

Outros Processos e a Permanência da Detenção

Apesar de ter sido recentemente absolvido em um processo por porte ilegal de arma de fogo ocorrido na Bahia, Wendell Lagartixa continua detido pela ação penal referente à chacina da Redinha. A Justiça enfatiza que a manutenção da prisão é essencial para assegurar a ordem pública e a correta instrução processual, dada a seriedade dos crimes atribuídos e o risco associado à liberdade do acusado durante a fase de investigação e julgamento.

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