GUERRA NA UCRÂNIA

Analista polonês avalia campanha russa na Ucrânia como insustentável e aposta no cansaço europeu

Analista polonês em conferência de segurança.
Guerra na Ucrânia. Analista polonês questiona estratégia russa.

Especialista polonês questiona a longevidade do esforço bélico russo e o impacto das baixas significativas no país, contrastando com a resiliência esperada pela Rússia.

A Guerra na Ucrânia, agora com duração superior à Primeira Guerra Mundial, mostra sinais de estagnação, segundo análises especializadas. Os avanços russos recentes perderam ritmo, e as forças ucranianas conseguiram retomar parte do território ocupado, enquanto negociações de paz permanecem distantes.

O analista Tomasz Smura, membro do Fórum de Segurança de Varsóvia e diretor da Fundação Casimir Pulanski, aponta que o presidente Vladimir Putin aposta no esgotamento do apoio europeu à Ucrânia, visando minar o financiamento das Forças Armadas ucranianas e viabilizar uma vitória russa.

Smura detalha que, apesar dos esforços diplomáticos, os objetivos de Moscou permanecem ambiciosos: reconhecimento internacional de territórios ucranianos anexados e o impedimento da adesão da Ucrânia à Otan e à União Europeia. Isso ficou evidente durante a 23ª edição da Conferência de Segurança Internacional do Forte, no Rio de Janeiro.

“A Rússia ainda acredita que pode atingir esses objetivos se simplesmente esperar mais alguns meses ou anos, apostando que a opinião pública europeia se cansará do conflito e encerrará seu apoio aos ucranianos”, afirmou Smura. Ele enfatiza a necessidade de demonstrar aos russos que a avaliação está equivocada, com apoio contínuo à Ucrânia pelo tempo necessário, incentivando negociações sérias.

O especialista também questiona a sustentabilidade do esforço de guerra russo, contrariando a imagem de resiliência econômica e social propagada por Putin. Relatos e estimativas indicam que as baixas russas ultrapassam um milhão de soldados, entre mortos e feridos, um número significativamente superior ao da Guerra do Afeganistão, que levou a União Soviética à beira da revolução.

Smura participou de uma delegação a Washington em junho, onde discutiu com representantes dos partidos Democrata e Republicano. Ele observou um apoio amigável, apesar das críticas à Otan, ressaltando o papel de países como a Polônia, que investem mais de 3% do PIB em Defesa e realizam aquisições militares expressivas, como 500 tanques de guerra.

Ele conclui que a assertividade nas relações com grandes potências, como EUA e China, é fundamental para a Europa e outras regiões, como a América Latina. A cooperação entre a UE, o Brasil e países do leste asiático é vista como essencial para reforçar o cumprimento do direito internacional e da Carta das Nações Unidas.

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