TAXA DECAI

Analfabetismo no Brasil cai para 4,9%, menor índice desde 2016

Sala de aula com professora e estudantes da EJA em Brasília, no DF
Sala de aula com professora e estudantes da EJA em Brasília, no DF — Foto: Geovana Albuquerque/Agência Brasília

Pesquisa revela que 4,9% da população com 15 anos ou mais não sabia ler e escrever em 2025. Embora seja o menor índice desde 2016, a desigualdade regional, racial e etária persiste.

O Brasil alcançou um marco histórico na educação: o analfabetismo entre pessoas com 15 anos ou mais caiu para 4,9% em 2025, registrando o menor índice desde o início da série histórica da pesquisa, em 2016. Essa conquista representa uma redução de aproximadamente 592 mil pessoas analfabetas em um ano, passando de 5,3% em 2024 para o atual patamar, que é inédito por ficar abaixo dos 5%. O dado foi divulgado nesta sexta-feira, 19/06/2026, evidenciando um avanço significativo, mas que ainda carrega profundas marcas de desigualdade.

Apesar da queda expressiva, que tirou o país da marca de 6,7% de analfabetismo em 2016, os dados revelam um Brasil com contrastes sociais acentuados. Mais da metade dos brasileiros que não sabem ler e escrever, totalizando 4,8 milhões de pessoas, estão concentrados na região Nordeste. Na região, a taxa de analfabetismo é de 10,6%, mais que o dobro da média nacional. O Norte também apresenta índices acima da média, com 5,7%. Em contrapartida, Sul (2,4%) e Sudeste (2,3%) registram os menores percentuais, enquanto o Centro-Oeste figura com 3,3%.

Sala de aula com professora e estudantes da EJA em Brasília, no DF
Sala de aula com professora e estudantes da EJA em Brasília, no DF — Foto: Geovana Albuquerque/Agência Brasília

A idade é outro fator de destaque: idosos com 60 anos ou mais representam 58% de todos os analfabetos do país, totalizando 4,8 milhões de pessoas. Neste grupo, a taxa de analfabetismo atinge 13,8%, um número que contrasta fortemente com os 2,6% registrados entre pessoas de 15 a 59 anos. Essa disparidade reforça a necessidade de políticas educacionais voltadas para a alfabetização de adultos e idosos, embora gerações mais jovens tenham, de fato, maior acesso à educação formal.

Uma mudança inédita foi observada entre os idosos: pela primeira vez, a taxa de analfabetismo entre mulheres com 60 anos ou mais (13,7%) ficou abaixo da registrada entre os homens (14,1%). No entanto, as desigualdades raciais persistem de forma gritante. Entre pessoas de 15 anos ou mais, 6,5% dos pretos ou pardos são analfabetos, o triplo do percentual de brancos (2,8%). A diferença se agrava na faixa etária mais idosa, onde a taxa chega a 20,6% para pretos ou pardos, contra 7,3% para brancos.

Apesar do cenário desigual, os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) apontam um avanço geral no nível de escolaridade da população adulta. Em 2025, pela primeira vez, mais da metade das pessoas pretas ou pardas com 25 anos ou mais (51,3%) haviam concluído ao menos o ensino médio, superando a marca de 46% em 2016. No total da população com 25 anos ou mais, 57,4% concluíram a educação básica obrigatória, e o percentual de ensino superior completo atingiu 21,4%.

A média de anos de estudo para maiores de 25 anos também cresceu, chegando a 10,2 anos em 2025, contra 9,1 em 2016. As mulheres continuam à frente na escolaridade média (10,4 anos) em comparação com os homens (10 anos), assim como os brancos (11,1 anos) em relação aos pretos ou pardos (9,5 anos). No entanto, a meta do Plano Nacional de Educação para creches e pré-escolas (50% até 2024) ainda não foi atingida, com apenas 41,7% das crianças de 0 a 3 anos frequentando instituições de ensino.

O abandono escolar, concentrado a partir dos 16 anos, e a evasão motivada por trabalho ou gravidez entre mulheres, além de questões como falta de interesse e de vagas em creches, especialmente no Norte, ainda são desafios a serem superados para garantir a dignidade e o pleno desenvolvimento educacional de todos os brasileiros.

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