ALERTA SILENCIOSO
Ana Prado: Dores revelam câncer de ovário avançado
Gerente comercial teve 3,5 litros de líquido no pulmão antes do diagnóstico; doença é silenciosa e sem rastreio.
A gerente comercial Ana Prado, de 46 anos, de São Paulo, enfrentou um diagnóstico devastador de câncer de ovário avançado, revelado no início de abril de 2024, após uma série de sintomas inicialmente confundidos com dores musculares pós-treino. Essa descoberta, que culminou em um derrame pleural e a subsequente identificação da doença, sublinha a urgência de decifrar os sinais sutis do corpo, alertando para a natureza silenciosa do câncer de ovário e a crucialidade do diagnóstico precoce para a vida de milhares de mulheres.
Ana vivia uma fase de pleno vigor, com rotina ativa que incluía perda de peso e exercícios diários. Contudo, no início de abril de 2024, dores persistentes nas costas após os treinos a fizeram crer em um simples esforço excessivo na academia. "Imaginei que tivesse feito algo errado", relembra, subestimando o alerta inicial de seu corpo.
Sem alívio, buscou um ortopedista, que diagnosticou uma contusão muscular e prescreveu medicação, mas sem sucesso. A situação agravou-se dias mais tarde, quando uma breve caminhada revelou uma exaustão avassaladora e intensa falta de ar, um indício de que algo mais sério acontecia.
"Voltei para casa e realizei uma teleconsulta", relata. A médica, com alta convicção de que se tratava de acúmulo de líquido no pulmão, orientou-a a procurar o pronto-socorro de imediato para um exame de raio-X confirmatório.
O exame de imagem confirmou o temido: Ana sofria de derrame pleural, um acúmulo massivo de líquido no pulmão. Uma cirurgia de emergência removeu cerca de 3,5 litros, um volume tão grande que o médico expressou espanto com sua resistência. "Ele disse que não entendia como eu tinha suportado aquilo tudo", recorda Ana, que até então não suspeitava de câncer.
A verdade veio à tona dias depois, no resultado do exame do material coletado. A caminho da consulta, ao ler o laudo, Ana chocou-se: "Li carcinoma de ovário e perguntei para o meu marido se aquele nome era ruim. Foi um choque", descreve, em um momento de pura incredulidade.
A revelação surpreendeu até mesmo a equipe médica, visto que os primeiros sintomas não apontavam para a região ginecológica. "Como podem descobrir um tumor no ovário através do pulmão?", indagou Ana, perplexa com a complexidade de seu próprio corpo.
Segundo a oncologista Débora Dornellas, do Einstein Hospital Israelita, essa trajetória de descoberta, apesar de incomum, é corriqueira para o câncer de ovário. "É uma doença sem exame de rastreio eficaz e, em grande parte dos casos, é diagnosticada em estágio avançado, quando já se espalhou para outras regiões", esclarece a especialista.
A doutora Dornellas enfatiza que os sinais são frequentemente inespecíficos. "Dores abdominais, sensação de inchaço e aumento do volume do abdômen podem parecer males menores, mas exigem investigação médica quando persistem, pois podem ser indícios de algo mais grave", alerta.
Após o impacto do diagnóstico, Ana iniciou o tratamento com celeridade. Em poucas semanas, a quimioterapia foi implementada, em um plano que compreendeu seis ciclos, intercalados com uma cirurgia crucial para a remoção dos ovários, trompas e útero.
Mesmo em meio à intensidade do tratamento, Ana demonstrou uma força notável, decidindo preservar parte de sua rotina. Manteve-se dedicada ao trabalho em home office e permaneceu fisicamente ativa, sempre dentro de suas possibilidades.
"Os dias em que mais sentia dor eram, curiosamente, aqueles em que não conseguia ir à academia", revela, apontando para o poder da atividade física como alívio.
A prática de exercícios revelou-se um pilar fundamental durante sua jornada de tratamento. "A dança se transformou em uma verdadeira terapia. Mesmo nos dias em que não conseguia executar todos os movimentos, a simples presença já me proporcionava bem-estar", confessa.
A oncologista Débora Dornellas confirma o embasamento científico dessa percepção. "A atividade física eleva a qualidade de vida, combate a fadiga e pode, inclusive, reduzir o risco de recidiva da doença. Embora muitas pacientes acreditem que devem cessar as atividades, o movimento, adaptado às suas condições, geralmente é um grande aliado", explica.
Atualmente, Ana Prado segue em um tratamento de manutenção, tendo recuperado boa parte de sua rotina pré-diagnóstico. Sua experiência redefiniu profundamente sua percepção sobre o próprio corpo. "O corpo fala, e precisamos aprender a escutar com atenção", conclui, em uma mensagem vital para todos.
A Dra. Dornellas finaliza reforçando a importância máxima da atenção aos sintomas: "Quanto mais precoce o diagnóstico, maiores e mais promissoras são as chances de um tratamento bem-sucedido e eficaz."
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