ALERTA CLIMÁTICO
Amazônia em alerta: El Niño ameaça reverter queda do desmatamento
Dados do Imazon mostram redução de 17% no 1º trimestre de 2026, mas El Niño pode intensificar queimadas e prejudicar rios.
Especialistas alertaram nesta terça-feira, 28 de abril de 2026, que a queda de 17% no desmatamento da Amazônia, registrada no primeiro trimestre do ano, pode ser rapidamente revertida. A preocupação surge com a iminente entrada do fenômeno El Niño, que promete reduzir drasticamente as chuvas na região Norte, elevando o risco de incêndios florestais e colocando em xeque o compromisso brasileiro de zerar o desmatamento até 2030.
Os dados, divulgados pelo Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), mostram um cenário positivo inicial. Contudo, Pedro Côrtes, analista de Clima e Meio Ambiente da CNN Brasil, explica que, apesar da tendência de redução, março já apresentou um repique nos índices. "Isso mostra que nós temos que nos manter extremamente atentos", alertou Côrtes durante o Live CNN.
O analista ressalta a urgência de manter a fiscalização em níveis elevados, mesmo diante dos resultados favoráveis. "Se a gente tiver qualquer vacilo, o desmatamento pode voltar a crescer", reforçou Côrtes, enfatizando que a vigilância contínua é crucial para proteger a maior floresta tropical do mundo.
A iminente chegada do El Niño é um fator de grande apreensão. Este fenômeno climático, que deve provocar uma redução significativa das chuvas na região Norte, ameaça desencadear episódios críticos. "Isso pode levar a situações como as que tivemos recentemente, onde os rios amazônicos perderam capacidade de navegação", explicou Côrtes, lembrando de períodos em que importantes vias fluviais se transformaram em extensos lamaçais, impactando a vida de comunidades ribeirinhas e o transporte de bens essenciais.
Com a floresta perdendo umidade, a probabilidade de incêndios florestais aumenta consideravelmente. "Especialmente considerando que a queimada é uma técnica utilizada para o desmatamento", destacou o especialista, sublinhando o ciclo vicioso de seca e destruição. A cada incêndio, não apenas a biodiversidade é dizimada, mas também o equilíbrio ecológico e a subsistência de povos originários são profundamente afetados.
O Brasil se comprometeu internacionalmente a erradicar o desmatamento até 2030, uma meta ambiciosa que exige persistência em fiscalização e a implementação de políticas públicas eficazes. Os relatórios mensais do Imazon são ferramentas vitais para monitorar essa evolução e guiar as ações necessárias para salvaguardar a Amazônia e, por extensão, o clima global.
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