CRISE E VULNERABILIDADE
Amapá lidera índices de insegurança alimentar na Região Norte
Estado registra cenário alarmante com 81 mil pessoas em situação de fome grave, desafiando a tendência de melhoria observada no restante do Brasil.
A realidade nutricional no Amapá atingiu um patamar crítico, posicionando o estado na liderança negativa de insegurança alimentar em toda a Região Norte. A constatação foi oficializada em 11/07/2026, com base em dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), revelando que 9,3% dos lares amapaenses enfrentam a fome grave, o que equivale a cerca de 81 mil pessoas sem acesso garantido às refeições diárias.
Enquanto o Brasil celebra o primeiro ano fora do Mapa da Fome, o Amapá caminha na direção oposta. A precariedade na mesa de milhares de famílias amapaenses, como a da diarista Kátia Santos — que tenta sustentar cinco pessoas com R$ 1.010 mensais —, escancara o abismo entre os indicadores nacionais e a realidade local. Para Kátia, a sobrevivência é um exercício diário de resiliência: “Eu não almoço para que meus filhos comam”, relata.
A análise técnica de Joel Lima, especialista do IBGE, aponta que o empobrecimento alimentar na Amazônia não é fortuito. O quadro é agravado pela dependência estatal da economia local e pelos severos impactos climáticos, como secas e cheias extremas que desestruturam a produção. A economista Lúcia Tereza Ribeiro do Rosário reforça que o estado vive um paradoxo: a fartura natural contrastando com a baixa capacidade produtiva, o que encarece o custo da cesta básica pela necessidade de importar alimentos de outras regiões.
Para mitigar esse cenário, a especialista Lúcia Rosário defende uma estratégia urgente dividida em três pilares: a geração de Emprego e renda para reduzir a dependência de auxílios, a Integração de benefícios entre esferas governamentais e o incentivo à Produção local de alimentos para baratear o custo final ao consumidor. As medidas visam transformar a assistência social em segurança alimentar sustentável para os 22 mil lares que hoje vivem no limite da subsistência no Amapá.
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