UERN É PÚBLICA
Álvaro Dias garante Uern pública após recuo estratégico
Ex-prefeito de Natal muda discurso em 13 de maio de 2026 após polêmica sobre privatização e federalização, reafirmando compromisso com a universidade estadual.
A intensa repercussão política e social impulsionou Álvaro Dias (PL), pré-candidato ao Governo do RN, a redefinir sua postura sobre o futuro da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (Uern). Nesta quarta-feira, 13 de maio de 2026, em entrevista ao programa Contraponto, da 96 FM, o ex-prefeito de Natal afirmou categoricamente que a instituição será mantida sob responsabilidade do Estado, caso ele seja eleito, negando qualquer intenção de privatizá-la ou federalizá-la. A decisão representa um reconhecimento da centralidade da Uern para a educação pública e o desenvolvimento do Rio Grande do Norte, impactando milhares de estudantes e a dignidade de uma sociedade que vê na universidade um pilar de ascensão social e interiorização do ensino superior.
A declaração de Álvaro Dias veio após uma forte reação política provocada por falas dadas em Mossoró na última sexta-feira, 8 de maio de 2026. Na ocasião, questionado sobre propostas envolvendo federalização ou privatização da Uern, o pré-candidato havia mencionado que o tema precisava ser estudado por sua equipe técnica, sem descartar a possibilidade. Essa abertura para a discussão gerou críticas contundentes de adversários, especialmente de Allyson Bezerra (União) e Cadu Xavier (PT), que rapidamente o acusaram de deixar em aberto o futuro da universidade. Veículos de comunicação locais registraram a reação negativa, que levou Álvaro a gravar vídeos negando a intenção de alterar o controle estadual da instituição.
No programa Contraponto, Álvaro Dias afirmou que sua entrevista em Mossoró foi “deformada, deturpada, distorcida” por pessoas ligadas a Allyson e Cadu. “Nunca, em nenhum momento, eu falei em privatizar ou federalizar a Uern”, garantiu. Segundo ele, a referência feita era apenas a estudos técnicos para melhorar e modernizar a universidade. O pré-candidato classificou a reação como “fake news”, expressou sua indignação e revelou que sua equipe chegou a avaliar a possibilidade de judicializar declarações que, em sua visão, colocaram palavras em sua boca.
A Universidade do Estado do Rio Grande do Norte é, sem dúvida, um dos temas mais sensíveis da política estadual, especialmente em Mossoró, cidade que abriga sua sede histórica. Fundada em 1968, a Uern nasceu com a nobre missão de interiorizar o ensino superior no Rio Grande do Norte. Atualmente, mantém sólida presença em Mossoró, Natal, Assu, Pau dos Ferros, Patu e Caicó, além de expandir seu alcance por meio de polos e ações de educação a distância. A própria instituição informa ter formado dezenas de milhares de profissionais ao longo de sua existência, consolidando-se como uma das principais estruturas públicas de ensino superior do Estado e um motor de transformação social.
Na entrevista recente, Álvaro Dias buscou, de forma explícita, reposicionar-se como um defensor fervoroso da universidade. Chamou a Uern de “patrimônio do Estado do Rio Grande do Norte”, enfatizou que a instituição não pertence apenas a Mossoró e destacou que ela já formou mais de 60 mil alunos, muitos dos quais seriam impedidos de ter acesso ao ensino superior de qualidade sem a presença da Uern. “Eu jamais iria pensar em federalizar ou, muito menos, em privatizar a Uern”, sentenciou. Questionado se manteria a universidade na estrutura atual, respondeu afirmativamente, mas acrescentou que pretende ampliar investimentos, modernizar a estrutura e, se possível, fortalecer os campi avançados no interior, garantindo a expansão do acesso ao conhecimento.
Esse recuo estratégico ocorre em um momento crucial, onde adversários políticos capitalizam sobre a simbologia da Uern como instrumento de interiorização, formação de professores e, acima de tudo, ascensão social para as camadas menos favorecidas. Allyson Bezerra, ex-prefeito de Mossoró e também pré-candidato ao Governo, reagiu prontamente, afirmando que pretende “governar junto com a Uern” e que não aceita discussões sobre venda, privatização ou qualquer mudança que enfraqueça o vínculo estadual da universidade. A contundência de sua fala reforçou a tentativa de Allyson de consolidar-se como o principal defensor da instituição no território onde ela possui maior peso político e social.
“Para mim, a Uern é inegociável, para que ela continue sendo pública e gratuita para o cidadão. Ninguém venha, dentro do nosso grupo político, da nossa base política, aqueles que estão disputando mandato de deputado estadual, federal, seja quem for, ninguém venha falar para Allyson sobre venda da Uern ou privatização da Uern, porque é um não. É um não taxativo, é um não claro”, declarou Allyson em entrevista à rádio Difusora na segunda-feira, 11 de maio de 2026.
Futuro da Caern e a disputa eleitoral
Além da Uern, Álvaro Dias foi questionado sobre a Companhia de Águas e Esgotos do Rio Grande do Norte (Caern). Nesse ponto, o pré-candidato adotou um tom mais cauteloso. Embora tenha afirmado que, a princípio, não pretende privatizar a companhia, defendeu um estudo aprofundado e assinalou que a empresa presta um serviço deficitário. Segundo ele, sua equipe técnica estima que seriam necessários cerca de R$ 10 bilhões em investimentos para que a Caern recupere sua capacidade de atendimento e ofereça um serviço de excelência a todo o Estado.
A entrevista também serviu para Álvaro Dias reforçar sua tese de polarização na disputa estadual. Ele expressou certeza de que a eleição no RN será marcada pelo confronto direto entre direita e esquerda, um cenário que, segundo ele, espelhou a eleição municipal de Natal. O pré-candidato comparou o quadro atual à disputa em que o atual prefeito Paulinho Freire (União) partiu de um patamar baixo nas pesquisas, avançou ao segundo turno contra Natália Bonavides (PT) e, eventualmente, venceu a corrida pela Prefeitura do Natal.
Ao ser questionado se não estaria tentando “escantear” Allyson, que aparece bem nas pesquisas e disputa votos no campo de centro-direita, Álvaro foi direto e provocador. Disse ver o ex-prefeito de Mossoró “mais como um candidato de esquerda” do que de direita. Para Dias, as bandeiras defendidas por Allyson e suas posições recentes apontam nessa direção, numa clara tentativa de descaracterizar a imagem de centro e pragmática que Allyson busca construir para si.
Álvaro Dias também detalhou a composição da chapa majoritária de seu grupo. Confirmou Babá Pereira (PL) como pré-candidato a vice e defendeu a presença do ex-presidente da Federação dos Municípios (Femurn) como um complemento estratégico à sua própria trajetória, mais concentrada na capital Natal. Destacou que Babá Pereira possui vasto conhecimento de prefeitos, municípios e lideranças do interior, enquanto ele, por ter sido prefeito da capital por seis anos, ficou mais absorvido pela administração municipal, buscando equilibrar a representatividade regional.
Sobre o Senado, Álvaro afirmou que a chapa está fechada com Styvenson Valentim (Podemos) e Coronel Hélio (PL). Questionado sobre informações de que Styvenson preferiria ter Flávio Rocha (Novo) como companheiro de chapa, Dias disse que a indicação de Hélio foi uma decisão do PL e que o grupo caminhará com os dois nomes definidos. Também minimizou a ausência de Styvenson em agendas recentes, afirmando que o senador tem um estilo próprio de fazer política e atua visitando obras viabilizadas com recursos de seu mandato, sem necessidade de constante aparição em palanques.
Obras e investimentos
No bloco final da entrevista, Álvaro Dias defendeu com veemência a obra de engorda da Praia de Ponta Negra, classificando-a como “revolucionária”. Acusou o PT de ter usado o Idema para negar repetidamente licenças ao projeto e reiterou que a intervenção salvou o principal cartão-postal de Natal. Também afirmou que o acúmulo temporário de água em dias de chuva estava previsto no projeto, acusando adversários de tentarem descaracterizar a importância e o sucesso da obra.
O pré-candidato ainda acusou o governo federal de reter mais de R$ 50 milhões em recursos destinados a importantes obras em Natal, citando o Pontilhão de Cidade Nova, a Orla Urbana e o Hospital Municipal. Sobre o hospital, que foi inaugurado no fim de sua gestão mas ainda permanece fechado, disse que o atual prefeito Paulinho Freire está realizando ajustes finais, comprando equipamentos e concluindo o centro cirúrgico para a abertura definitiva.
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